Primeira santa nascida em território brasileiro era considerada beata pelo Vaticano. Padre Pelágio é atualmente venerável e aguarda comprovação de milagre ou martírio para beatificação

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Por Thiago Queiroz

Com a canonização de Irmã Dulce, agora Santa Dulce dos Pobres, o Brasil ganhou neste domingo, 13, sua primeira santa nascida no país e a 37ª personalidade brasileira reconhecida como santa pela Igreja. Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes nasceu em Salvador, em 1914, e morreu na mesma cidade, em 13 de março de 1992. Nesta segunda-feira, 14, foi celebrada a primeira missa, em português, em homenagem a ela, na Basílica Sant’Andrea della Valle, em Roma, Itália.

Além dos 37 santos, o Brasil possui uma lista de 52 beatos, 15 veneráveis, e 68 processos abertos na Congregação para que sejam concedidos títulos de servos de Deus.

A outra personalidade brasileira santa nascida no Brasil é Frei Galvão, canonizado em 2007 pelo papa Bento XVI, em São Paulo. Os outros 35 santos viveram e morreram no Brasil, mas são de outras nacionalidades.

A primeira a ser considerada santa brasileira foi Amabile Lucia Visintainer (1865-1942). Ela nasceu na Itália, mas passou a maior parte da vida no Brasil, onde ficou conhecida pela comunidade católica brasileira como Madre Paulina. Ela foi canonizada pelo papa João Paulo II, em 2002.

Até então o país possuía no rol de santos apenas os nomes de três missionários jesuítas ligados ao Paraguai, Roque Gonzáles de Santa Cruz (Paraguai, 1576-1628), Afonso Rodrigues (Espanha, 1598-1628) e Juan de Castillo (Espanha, 1595-1628). Conhecidos como os “mártires do Rio Grande do Sul”, eles foram mortos em terras brasileiras e canonizados também por João Paulo II.

Após a renúncia do papa Bento XVI, em 2013, Francisco foi escolhido o novo papa e, em 2014, foi o responsável pela canonização de José de Anchieta (1534-1597), um dos fundadores da cidade de São Paulo e reconhecido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) como um dos padroeiros do Brasil.

Foi também no papado de Francisco, em 2017, que a lista cresceu com a canonização coletiva de um grupo de outros 30 brasileiros, os chamados “mártires de Cunhaú e Uruaçu”, mortos em 1645 durante as invasões holandesas ao Brasil. Neste caso, por terem sido mártires em função da fé, sendo dispensadas as comprovações de milagres.

Outros 52 nomes estão em processo de canonização

Existem hoje no país mais 52 processos que pedem a canonização de nomes considerados como beatos pela Igreja Católica. Desses, seis nasceram e morreram no Brasil. Chama a atenção por metade dos nascidos aqui serem de mulheres vítimas de feminicídio. São elas Albertina Berkenbrock, Benigna Cardoso da Silva e Lindalva Justo de Oliveira, assassinadas por homens.

De Goiás

Muito conhecido pela comunidade católica goiana, o Padre Pelágio Sauter é um dos nomes que constam em processos no Vaticano com pedidos de beatificação e canonização. Em 2014 o papa Francisco o proclamou venerável. A concessão desse título significa que Sua Santidade deu ao processo vitória em uma das etapas mais trabalhosas e exigentes rumo à canonização.

Nascido na Alemanha, em 1878, Padre Pelágio veio para o Brasil em 1909, ficando em São Paulo por cinco anos exercendo sua missão pastoral antes de se instalar em Goiás, onde morreu em 1961, na Santa Casa de Misericórdia de Goiânia.

Nos 47 anos de missão em Goiás, sua principal ocupação foi andar pelo sertão a cavalo para visitar centenas de comunidades mais afastadas dos centros urbanos para evangelizar, principalmente, as famílias mais pobres e humildes. Por isso tanta devoção ao seu nome é notada atualmente pelo povo mais simples.

Na Romaria de Trindade, cidade na qual mais trabalhou, Padre Pelágio era muito procurado por comitivas de fiéis do interior de Goiás e de outros estados para que concedesse a eles a bênção antes de retornarem às suas cidades. No fim de sua vida ele se dedicou à Pastoral dos Enfermos e às missas da Matriz de Campinas, hoje Santuário Basílica de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

Etapas até a canonização

Para santificar uma personalidade é necessário obedecer a algumas etapas:
A primeira é realizada na diocese local, para que o nome indicado se torne servo de Deus.
Posteriormente, monta-se um processo, que é enviado para Roma. Após análise é concedido ou não à personalidade o título de venerável (o de Padre Pelágio foi aprovado nesta etapa).
Inicia-se então a investigação para que seja comprovado pelo menos um milagre ou um martírio (quando a pessoa prefere morrer a macular sua fé).
Sendo comprovado, ela alcança o título de beato, última etapa antes da canonização.
Com a comprovação do segundo milagre, são concedidas pelo papa a canonização e, posteriormente, a declaração de santidade.