Brasil tem a maior prevalência de depressão da América Latina, segundo OMS

“País pode ser considerado o país do Carnaval, mas definitivamente não é o país da alegria”, alerta psiquiatra

Foto: Reprodução

No mês de combate e prevenção ao suicídio, Setembro Amarelo, o Jornal Opção conversou com um psiquiatra para falar das alterações mentais que podem levar as pessoas a tentarem, e a tirarem a própria vida.

Segundo o Dr. Rodrigo Santana, quando comprometida por qualquer transtorno mental que leve ao desinteresse e a ideação ou até mesmo a intenção suicida, a pessoa passa a enxergar nesse ato a possível resolução dos seus conflitos. “Para essas pessoas, as tarefas que são aparentemente banais assumem um grau de dificuldade imensurável quando o pensamento está alterado em seu curso: o humor deprimido e a apatia; anedonia, que é a ausência de prazer; e a desmotivação são os sentimentos predominantes”, explica.

O psiquiatra relata que os principais transtornos associados ao suicídio são a depressão, o transtorno afetivo bipolar, transtorno relacionado ao uso e abuso de álcool e substâncias, a esquizofrenia, e os transtornos de personalidade, principalmente, o de personalidade Borderline.

Dessa forma, é imprescindível que pessoas diagnosticadas com alguma dessas alterações, ou que começaram a apresentar qualquer sintoma, busquem ajuda profissional. “Duas semanas de tristeza continua é indicação para uma avaliação com psiquiatra. Mas infelizmente as pessoas postergam a procura ou negligenciam esses sintomas”, reitera o médico.

Rodrigo afirma que, atualmente, atende pacientes de todas as faixas etárias. “Atendo dos oito aos 80, literalmente, mas a faixa etária maior de risco de suicídio é entre adolescentes e idades no extremo da vida”, pontuou. O psiquiatra explica ainda, que a depressão é uma dos problemas que mais levam ao suicídio: “Se não tratada logo por um psiquiatra, a morbidade é acentuada, um leque grande de sintomas negativos surgem. O sofrimento psíquico é desagradável e desnecessário”.

Depressão

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão afeta cerca de 4,4% das pessoas em todo o mundo e 5,8% da população brasileira. A OMS também divulgou a informação de que o Brasil é o país com maior prevalência de depressão na América Latina. Considerada por especialistas como o mal do século, a depressão é uma doença que pode acometer qualquer pessoa, sem distinção de idade ou classe social, podendo, inclusive, levar ao suicídio.

E o profissional faz o alerta: “O Brasil pode ser considerado o país do Carnaval, mas definitivamente não é o país da alegria. Infelizmente, quase ninguém procura um psiquiatra quando apresenta duas semanas seguidas de tristeza contínua, apatia e desmotivação. Esse prazo pode fechar com precisão um diagnóstico de episódio depressivo”.

“Vidas podem ser perdidas por falta de assistência e de tratamento adequado, Valorize a sua saúde mental. Tudo na vida começa pela frequência dos nossos pensamentos. E que o nosso pensar seja elevado e recheado de prazer a maior parte da existência”, finaliza.

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