Brasil pode ficar sem recursos para pagar aposentadorias, alerta ministro do TCU
22 outubro 2026 às 19h11

COMPARTILHAR
O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, alertou para o risco de o Brasil não conseguir arcar com o pagamento de aposentadorias no futuro, caso o atual cenário fiscal seja mantido. Em vídeo publicado nas redes sociais na quarta-feira, 21, ele apontou o déficit da Previdência Social e o crescimento das despesas fora do orçamento como fatores que ameaçam a sustentabilidade das contas públicas.
“É bom você que vai um dia querer se aposentar pela Previdência ficar sabendo de que, como está, não haverá aposentadoria, porque não temos mais economia suficiente para pagar nem os aposentados hoje e quem dirá futuramente”, afirmou o ministro.
Nardes citou um déficit previdenciário superior a R$ 404 bilhões e afirmou que os gastos realizados fora do orçamento já alcançam R$ 326 bilhões. Segundo ele, esse cenário compromete a credibilidade econômica do país e dificulta a atração de investimentos estrangeiros.
“A situação se torna cada vez mais grave, porque foi feita uma desorçamentação, ou seja, gastar por fora. Atualmente, já estamos em 326 bilhões de reais”, declarou. Na avaliação do ministro, o crescimento dessas despesas ameaça a capacidade de financiamento do Estado. “Está praticamente inviabilizando o país em nível internacional de buscar investidores, porque houve manipulação lá atrás, nas contas da presidente, e volta a acontecer”, acrescentou.
Comparação com as pedaladas fiscais
Durante a manifestação, Nardes comparou o cenário atual às chamadas pedaladas fiscais identificadas durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Em 2015, ele foi relator, no TCU, do processo que analisou irregularidades nas contas do governo federal.
“Tomei uma decisão muito importante em 2015, fui relator das chamadas pedaladas fiscais. O que são as pedaladas fiscais? Foram recursos utilizados nos fundos de previdência sem autorização do Congresso Nacional”, afirmou.
O ministro também mencionou prejuízos registrados naquele período e atribuiu às irregularidades consequências para a economia brasileira. “O total dos prejuízos que nós apontamos naquele momento, em 2015, foram R$ 50 bilhões utilizados ilegalmente”, declarou.
Na avaliação de Nardes, os episódios contribuíram para a perda de confiança internacional e para a retração da atividade econômica. “Perdemos a confiança internacional. Agora, como é que está a situação? A situação se torna cada vez mais grave”, disse.
Leia também: Aos 75 anos, idoso supera barreira digital para contestar descontos de R$ 600 na aposentadoria em Goiás


