Brasil cai para 78ª posição em ranking sobre igualdade de gênero

Relatório analisou dados em 144 países e registrou queda de uma posição para brasileiros em relação a 2020

Entre 144 países observados, o Brasil apareceu somente na 78ª posição do Índice de Gênero dos ODS 2022, que mede a igualdade de gênero ao redor do mundo. O dado é desenvolvido pela Equal Measures 2030, como parte de avaliações que integram ações de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para a agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). Na América do Sul, a pontuação do país (66,4 pontos) é inferior a de outros vizinhos de destaque, como Uruguai (31º), Argentina (44º), Chile (49º) e Paraguai (74º). Na última publicação do ranking, em 2019, o Brasil ocupava a 77ª posição.

Estagnação

Segundo os dados apontados pelo documento, a pontuação do Brasil ficou estagnada entre os anos de 2015 e 2020, num estado de “não progresso”. A gerente de empoderamento econômico e gênero da Plan International Brasil, Raíla Alves, destaca que, atualmente, não existe nenhuma projeção de avanço em relação às metas definidas pela agenda 2030 da ONU, o que dificulta ainda mais as expectativas de melhora de posição.

“Para dar um exemplo, o Brasil ainda é o quinto no ranking mundial de casamentos infantis em números absolutos. Isso porque o problema é ainda maior quando consideramos as uniões informais, muito mais frequentes por aqui”, explicou. “Embora, em 2019, o Brasil tenha mudado a legislação sobre o casamento infantil, ela ainda tem uma brecha, pois permite a união a partir dos 16 anos com a autorização de responsáveis e/ou da Justiça. Na prática, os casamentos continuam ocorrendo e atingem, principalmente, meninas com menos de 18 anos”, acrescentou.

Transformação

Além de apontar o cenário, a pesquisa também traz recomendações para que os países possam acelerar processos de avanço de igualdade de gênero. Entre as propostas apresentadas, por exemplo, estão reforma de leis e adoção de políticas afirmativas para meninas e mulheres. De acordo com o documento, é preciso acabar com a falta de dados sobre gênero, bem como investir em infraestrutura social, criar espaços de apoio a organizações e movimentos feministas e incentivar o empoderamento de jovens mulheres.

“Como o relatório aponta, “países que fazem bom uso de leis para facilitar a inclusão econômica das mulheres têm melhores resultados de saúde, nutrição e educação para mulheres e suas famílias, emprego mais resiliente para mulheres e mais mulheres na política”, afirmou Raíla.

Índice

Para realizar o ranking, o índice analisa 56 indicadores-chave em 14 dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Segundo o relatório, a pandemia de Covid-19 deixou traços de desigualdade ainda mais evidentes no mundo, mas não seria possível “voltar ao normal” nos cenários que se desenham no enfrentamento ao vírus.

“Voltar ao normal seria retomar um cenário anterior à pandemia. Comparando a posição do Brasil em 2019 à atual, percebemos que pouco mudou. Por isso, para alcançarmos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para 2030 não basta só retomar o que fazíamos antes. Vamos precisar acelerar muito para recuperar o tempo perdido. E isso não diz respeito apenas ao Brasil, mas a boa parte dos países no mundo”.

A publicação traz ainda que um em cada três países não está fazendo nenhum progresso para reduzir a desigualdade de gênero ou, pior, não está fazendo nada. Entre os que tem avanços considerados rápidos, estão menos de 25% dos países observados. Nesse cenário, mais de três bilhões de meninas e mulheres ainda viviam em países com pontuações consideradas “ruim” ou “muito ruim” para igualdade de gênero, em 2020.

O documento também apontou que nenhum dos 144 países pesquisados alcançou a igualdade de gênero esperada. Segundo o índice, nenhum país tem o melhor desempenho do mundo – nem mesmo figura entre os dez melhores do mundo – em todos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

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