Brasil 4 x 1 Camarões: a goleada placebo

Sem qualquer motivo para oba-oba, é hora de muita calma para entender como será possível dar a volta nas deficiências do time para chegar mais longe na Copa

Apesar de parecer óbvio demais, é preciso dizer: a goleada desta segunda-feira, 23, para encerrar a campanha brasileira na 1ª fase da Copa, teve a função de servir como disfarce para uma situação incômoda: a seleção brasileira continua longe de ter time para ser campeã desta Copa do Mundo.

Bastaria lembrar que jogamos contra uma equipe já eliminada. Mas não é só isso. O Brasil goleou Camarões, por 4 a 1. Mas a eliminada Croácia, que o Brasil venceu por 3 a 1, também passou por cima dos africanos: fez 4 também, porém sem sofrer gols.

Camarões é, de longe, a seleção mais fraca taticamente das 32 que disputam esta Copa do Mundo. Está abaixo até de Honduras, que têm um pouco mais de noção de posicionamento em campo e talvez seja mais fraca tecnicamente, mas sabe “jogar o jogo” de um jeito mais competitivo.

Daniel Alves divide bola com adversário camaronês: eficiente no apoio, mas deixando "avenidas" atrás de si |Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Daniel Alves divide bola com adversário camaronês: eficiente no apoio, mas deixando “avenidas” atrás de si |Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Se sairmos fora do oba-oba, vamos perceber que importa mais pensar no gol sofrido nessa partida do que nos quatro que marcou o Brasil. Antes de cruzar a bola, o atacante camaronês fez Daniel Alves de gato e sapato. Tanto este como Marcelo não têm consistência defensiva, ao contrário de seus reservas Maicon e Maxwell, que sabem apoiar e defender. Tanto Marcelo quanto Daniel são um pouco melhores ofensivamente, mas fornecem “avenidas” a seus adversários nos campeonatos europeus.

Luiz Felipe Scolari convocou 23 jogadores e quero crer que saberá que será melhor, caso pegue um Robben ou um Suárez, ou mesmo um Sanchez – caso do próximo jogo, contra o Chile –, ter laterais que mais eficientes na marcação. É básico: se o camaronês fez o que fez, o que não faria o carequinha Robben, na grande forma em que ele se encontra?

O gol de Fred foi importante para dar moral a ele, assim como os dois de Neymar, que o levaram à artilharia do Mundial. Mas o mais animador foi o de Fernandinho, porque foi uma jogada construída e porque foi protagonizado por um jogador que já merece ser titular. Paulinho teve as chances que deveria ter, mas não as aproveitou. Hora de banco para este, hora de campo para aquele.

No mais, uma reflexão: o México teria time para ser campeão? Muitos vão dizer que não. Pois não fomos melhores do que os mexicanos e o jogo acabou 0 a 0. Eles venceram a Croácia por 3 a 1, mesmo placar com que o Brasil bateu o mesmo adversário (e, é bom lembrar, com um pênalti inventado após um mergulho de Fred). Da mesma forma, o México venceu Camarões fazendo três gols de saldo, embora o árbitro tenha validado apenas um. Foi o penal maroto conseguido por Fred e o bandeirinha vesgo que tirou dois gols do mexicano Giovanni dos Santos que deu o 1º lugar à seleção brasileira. Então, se o México não tem time para ser campeão, por que o Brasil teria?

Porque jogamos em casa, porque temos camisa, e isso pesa muito. O Brasil tem tudo para avançar diante do Chile, no sábado.

Nesse sentido, a goleada pode ser vista como um placebo: não deveria ter nenhum efeito, dadas todas essas condições. Mas talvez tenha o poder psicológico importante de motivar tanto a seleção como a torcida. Isso muda o quadro para melhor.

Mas não há nenhuma razão para oba-oba. Pelo contrário, é hora de muita calma para entender como será possível dar a volta nas deficiências do time para chegar mais longe e, ao fim, ao título.

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