Boris Johnson acelera vacinação e Bolsonaro parece viver em Marte

O primeiro-ministro da Inglaterra é de uma direita civilizada e não renega a ciência. O presidente patropi vive imerso em questiúnculas ideológicas que parece não entender

Espécie de herdeiro político de Winston Churchill, a quem biografou, e de Margaret Thatcher, o primeiro-ministro da Inglaterra, Boris Johnson (que, como a mãe de Churchill, nasceu nos Estados Unidos), é um político de direita, conservador e, em economia e costumes, liberal, decerto. O presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, também é de direita, mas não é liberal. É tão nacionalista quanto os militares que governaram o país entre 1964 e 1985. Aparentemente, se avalia como epígono dos generais Castello Branco, Costa e Silva, Emílio Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo. Mais de Médici, o mais lídimo representante da linha-dura, e de Costa e Silva (Médici engatilhado; Médici era, por assim dizer, Costa e Silva atirando).

Portanto, há direitas, e não “uma” direita, assim como não há “uma” esquerda, e sim esquerdas (PDT, PSB e PT são parecidos, de matizes socialdemocratas, mas não são iguais — há nuances). Assim como Angela Merkel, da Alemanha, Boris Johnson pertence à linhagem de uma direita civilizada, que tem apreço pela vida e não a sacrifica por algum discurso ideológico forjado por “gurus do aleatório”. No caso da pandemia do novo coronavírus, enquanto Bolsonaro duvida da ciência e não promove uma vacinação em massa, o político britânico toma o caminho inverso.

Jair Bolsonaro e Boris Johnson: a direita Marlboro não se preocupa com a vida; já a direita humanista admite que a vida é uma só — não tem estepe | Fotos: Reproduções

No sábado, 20, Boris Johnson disse que, a partir de uma operação gigante — que deveria ser chamada de Operação Churchill —, vai vacinar os adultos, todos, do Reino Unido até julho deste ano. Trata-se da primeira dose. A data prevista era setembro, mas o primeiro-ministro decidiu acelerar a vacinação. “Termos alcançado [mais de] 15 milhões de vacinas administradas foi um marco significativo, mas não vamos nos render, quero ver um ritmo cada vez mais rápido nas próximas semanas”, afirmou o primeiro-ministro.

Até 15 de abril, o governo inglês aposta que terá vacinado todas as pessoas que tiverem mais de 50 anos de idade. As pessoas dos grupos de risco também serão vacinadas.

Já o presidente Jair Bolsonaro não parece tão motivado quanto o chefe de governo da Inglaterra. O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, só está faltando ajoelhar aos seus pés clamando para que seja mais enérgico no combate à pandemia.

Com a ampliação da vacinação, a Inglaterra deve reduzir o confinamento e, breve, planeja retomar as aulas presenciais. No Brasil, por falta de um planejamento nacional, os Estados estão à deriva.

Mais de 120 mil pessoas morreram na Inglaterra devido à Covid e no Brasil morreram quase 250 mil pessoas. Entretanto, na terra de Shakespeare, caiu o número de contágios (19,2%) e de mortes (22,1%).

O Brasil precisa, neste momento, de vacinas e de um estadista. Não de um caubói de Marlboro. Os governadores estão nas mãos de Bolsonaro, dado o fato de que o Brasil não é uma República federativa — na prática, a União controla quase tudo —, mas deveriam reagir, num pacto-encontro nacional, e cobrar mais empenho do presidente.

É hora de exigir que nosso Messias seja mais presidente e menos Bolsonaro. Ele precisa “deixar” Marte (ou sua Ítaca, “Olavoland”)… para a Nasa e “voltar” para a Terra, quer dizer, para o Brasil.

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