Bolsonaro volta atrás nove vezes em nove dias como presidente

Personalidade do presidente e falta de planejamento do novo governo seriam responsáveis pela média de um recuo por dia

Foto: REUTERS/Adriano Machado

A gestão do presidente Jair Bolsonaro (PSL) chega ao seu décimo dia acumulando recuos que causaram polêmica e demonstram uma nítida falta de afinação entre os membros do primeiro escalão de Bolsonaro.  Já na estreia, no dia 1º de janeiro, o presidente assinou o decreto que reajustava o salário mínimo de R$ 954 para R$ 998. As informações da Folha de S. Paulo.

A chancela de Bolsonaro veio horas depois que o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, havia garantido que as primeiras ações do novo chefe do Executivo sairiam somente a partir do dia seguinte.

Lorenzoni também esteve envolvido em outras quatro mudanças de discurso: o aumento do IOF, a redução da alíquota do Imposto de Renda, a “despetização” dos servidores públicos e o anúncio das metas prioritárias do governo.

O ministro da Casa Civil foi escalado para avisar publicamente que o presidente havia se “equivocado” ao anunciar o aumento do IOF (Imposto de Operações Financeiras) e da redução da alíquota do IR, de 27,5% para 25%.

Bolsonaro deu publicidade às medidas na sexta-feira, 4, mas foi desmentido pouco tempo depois pelo secretário da Receita Federal, Marcos Cintra.

Onyx disse que havia estudos sobre o aumento do IOF que foram descartados, mesmo depois de Bolsonaro ter dito que assinara um decreto sobre o assunto.

Foi também o chefe da Casa Civil quem bateu bumbo para a exoneração de 320 servidores vinculados a sua pasta. Segundo ele, era preciso identificar os funcionários nomeados durante as gestões de Lula e Dilma Rousseff e tirá-los de vez do Planalto.

A saída em massa dos servidores paralisou o trabalho da Comissão de Ética Pública, que perdeu 16 dos 17 funcionários de sua equipe. Dias depois, no entanto, o colegiado anunciou a readmissão dos servidores para evitar prejuízo dos trabalhos.

Na terça-feira, 8, o general Augusto Heleno, que comanda o GSI (Gabinete de Segurança Institucional), desmentiu Onyx sobre a existência de um plano de anúncio das medidas prioritárias do governo.

Após as duas reuniões de Bolsonaro com seus 22 ministros, o chefe da Casa Civil prometeu divulgar metas para os 100 primeiros dias da gestão, mas nada aconteceu.

O chefe do GSI foi quem também acabou com a polêmica sobre a instalação de uma base militar americana no Brasil.

Bolsonaro havia dito, em entrevista ao SBT, ver uma possibilidade de receber a base. Heleno, no entanto, afirmou que Bolsonaro disse que nunca falou do tema.

O general-ministro também foi categórico ao descartar interrupção, por parte do governo, do acordo entre Embraer e Boeing, fechado em dezembro e que precisa do aval do Planalto. Bolsonaro havia colocado dúvidas sobre a continuidade do negócio.

Nesta quarta-feira, 9, o governo Bolsonaro voltou atrás mais duas vezes: na suspensão do processo de reforma agrária e nas mudanças no edital de compra de livros didáticos pelo Ministério da Educação.

São esperados novos recuos, principalmente   em relação à reforma da Previdência. Bolsonaro chegou a defender uma idade mínima de 57 anos para a aposentadoria de mulheres e 62 para homens.

No  entanto, a proposta não agrada ao ministro Paulo Guedes e o texto nem mesmo foi fechado pelo time dele.

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