Bolsonaro tumultua sessão da Câmara presidida por Maria do Rosário

Confusão ocorreu depois que debatedora defendeu condenação do deputado por apologia ao estupro

Bolsonaro discute com a deputada Maria do Rosário durante comissão geral, no plenário da Câmara dos Deputados | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Bolsonaro discute com a deputada Maria do Rosário durante comissão geral, no plenário da Câmara dos Deputados | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A reunião da comissão geral no plenário da Câmara que discutia a violência contra mulheres e meninas e a cultura do estupro, que ocorreu na manhã desta quarta-feira (14/9), teve seu início marcado por tumultos e bate-boca.

Vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Distrito Federal (OAB-DF), a debatedora Daniela Teixeira defendeu a condenação do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) sob a acusação de apologia do estupro.

O deputado, que já estava inscrito para falar, reagiu imediatamente e pediu a palavra, mas não foi atendido pela presidente da sessão, a deputada Maria do Rosário (PT-RS). A parlamentar explicou que os colegas inscritos falariam em outro momento do debate.

Bolsonaro, então, dirigiu-se à Mesa e protestou, gritando e com o dedo em riste, contra a decisão. Maria do Rosário pediu respeito quando uma mulher preside a Mesa e disse que não se renderia a “atitudes intimidatórias”. Sem conseguir a palavra, Bolsonaro chegou a levantar o pedestal dos microfones do plenário e provocou a movimentação de seguranças, mas acabou voltando para sua cadeira pouco depois.

Após a conclusão da fala da última convidada, Bolsonaro falou na tribuna e defendeu-se da acusação de apologia ao estupro. Referindo-se ao caso de Liana Friedenbach, estuprada e morta em 2003 em Embu (SP), Bolsonaro disse que na ocasião saiu em defesa da vítima.  O deputado ainda criticou a atuação de Maria do Rosário naquela época. Também acusou a deputada de defender o cunhado, que seria estuprador. A parlamentar não quis se manifestar, por estar presidindo a sessão.

Tumulto

O clima estava tenso desde os primeiros momentos da sessão, quando Bolsonaro e seu filho Eduardo Bolsonaro (PSC-SP) sentaram frente a frente com a petista que foi a primeira a discursar. Quando Maria do Rosário reassumiu a presidência da sessão, Eduardo Bolsonaro questionou o tempo que oradores teriam para falar.

A parlamentar, visivelmente irritada, informou que responderia posteriormente e chamou a primeira oradora a falar. Bolsonaro lembrou que havia previsão de Ordem do Dia marcada para as 13h de hoje e que uma sessão longa poderia prejudicar parlamentares que pretendem participar dessa segunda reunião da Câmara. Rosário respondeu citando o Regimento e o deputado começou a gritar ao ter tido o microfone fechado.

A deputada o ignorou, chamando outra convidada a falar na tribuna. Jair Bolsonaro então questionou falas de pessoas que não estavam na lista da sessão. “A senhora não manda aqui não. Segue o regimento”, gritou.

Jair Bolsonaro não conseguiu mudar a sessão, mas tumultuou o clima ao ser abordado por um grupo de simpatizantes, principalmente estudantes, que se concentrou no meio do espaço gravando vídeos e tirando fotos ao lado do parlamentar.

Carla Zambelli Salgado, do Movimento Nas Ruas, convidada à tribuna, aumentou a temperatura do debate quando atacou partidos de esquerda na luta contra a violência contra a mulher e questionou que “espécie de proteção” legendas como PT e PCdoB defendem quando ignoram “um projeto verdadeiro. Por que não apoiam o projeto de castração química? Só porque foi apresentado por Jair Bolsonaro (PSC-RJ)?”, provocou. “É um projeto que pode acabar efetivamente com a violência contra a mulher e contra a cultura do estupro”, disse.

A parlamentar não reagiu e Thiago André Pierobom de Ávila, promotor de Justiça do Ministério Público no Distrito Federal, respondeu: “Nós não promovemos a defesa de direitos humanos através da violação de outros direitos humanos”, disse sendo aplaudido pelos convidados.

A deputada Jô Moraes (PCdoB-MG) afirmou que o projeto de castração química de acusados de estupro (PL 5398/13) não ajuda a coibir ou prevenir o crime. Segundo ela, o projeto ajuda que o criminoso possa sair da cadeia, já que permite ao condenado optar por castração química como remissão da pena.

O deputado Chico Alencar (PSol-RJ) criticou a tentativa de intimidação da deputada Maria do Rosário e disse que isso não ocorre quando homens estão presidindo a sessão.  Ele elogiou a firmeza da deputada na condução dos trabalhos e defendeu uma escola livre para discutir a igualdade de gênero. (Com informações da Agência Brasil e Agência Câmara)

 

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