Bolsonaro pede a Moraes autorização para receber assessor do governo Trump na prisão
10 março 2026 às 18h06

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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, aval para receber na prisão a visita de Darren Beattie, assessor sênior do governo Donald Trump para políticas relacionadas ao Brasil. Detido na Papudinha, em Brasília, Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado e, por decisão judicial, visitas fora do rol habitual dependem de autorização do relator do caso.
No requerimento, a defesa solicita que a visita seja liberada de forma excepcional nos dias 16 ou 17 de março, datas que fogem do padrão de visitas ao ex-presidente, geralmente concentradas em quartas-feiras e sábados. Beattie deve estar no Brasil na próxima semana e, segundo fontes ligadas ao governo norte-americano, participará no dia 18 de um evento em São Paulo sobre minerais críticos.
Integrante do Departamento de Estado, Beattie é descrito como responsável por propor e supervisionar ações de Washington em relação a Brasília. Ele foi nomeado para o cargo no mês passado e é crítico do governo Lula (PT) e da atuação de Moraes no processo que resultou na condenação de Bolsonaro. Em declarações públicas, o assessor já atacou o ministro do STF e classificou Moraes como “principal arquiteto da censura e perseguição” ao ex-presidente.
A vinda do assessor ocorre em meio a discussões nos Estados Unidos sobre a possibilidade de classificar facções criminosas brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, como Organizações Terroristas Estrangeiras. O governo brasileiro tenta conter a iniciativa, sob o argumento de que a medida poderia abrir caminho para pressões externas e interpretações de intervenção.
Beattie também é figura controversa dentro da política americana. No primeiro mandato de Trump, atuou como redator de discursos na Casa Branca, mas deixou o cargo em 2018 após repercussão negativa por participação em evento associado a nacionalistas brancos. Ele ainda acumula críticas por publicações antigas nas redes, incluindo declarações apontadas como racistas e sexistas, além de ter propagado teorias durante a campanha de 2024.
Cabe agora a Moraes decidir se autoriza a visita e se estabelece condições específicas para o encontro, como data, duração e regras de acompanhamento.
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