“Bolsonaro está fazendo balbúrdia”, diz economista sobre alta do dólar e inflação, e queda da bolsa

Nesta quarta-feira, 8, após manifestações do 7 de Setembro, o Ibovespa acumulou queda de 2,75% e o dólar teve alta de 1,95%

Presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) | Foto: Reprodução

Após intensa movimentação em todo o Brasil em prol do feriado de 7 de Setembro, Dia da Independência do Brasil, com manifestações anti e pró-governo, e discursos considerados antidemocráticos por parte do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), é percebido reflexo na economia brasileira, nesta quarta-feira, 8. Além de queda na bolsa de valores, o dólar registrou alta – o que, segundo a economista Greice Guerra, colabora para o aumento da inflação e prejudica a população.

Apesar de as ações da bolsa de valores de São Paulo, a B3, terem fechado em alta de 0,80%, a 117.868 pontos, nesta segunda-feira, o Ibovespa acumulou queda de 2,75% por volta das duas horas da tarde desta quarta-feira. Já o dólar, cotado a R$ 5,2767, subiu cerca de 1,95%. Para Greice, esses valores são frutos da insegurança política e da ameaça à democracia que o Brasil está envolto com os últimos posicionamentos de Bolsonaro e seus apoiadores.

“O investidor nacional e internacional têm um olhar de insegurança no Brasil e tem uma visão de golpe, de estadismo, de atos contra a democracia e insegurança jurídica, porque estamos com um presidente que causa uma crise em relação as instituições, principalmente o jurídico. Ele está declarando guerra ao STF (Supremo Tribunal Federal), aos ministros e desafiando as instituições, no entendimento do mercado. Em função disso, a bolsa cai e o dólar sobe. Porque quando a bolsa cai, o investidor se refugia na moeda forte, que é o dólar”, esclarece a economista e analista de mercado.

Tais manifestações, apesar de serem direitos garantidos pela democracia à população, para a analista de mercado, estão impactando negativamente a economia. “O presidente está fazendo balbúrdia: não está preocupado com a pandemia, não está preocupado com a economia, a inflação só aumenta, os preços só aumentam e eu não vejo como a inflação abaixar nos próximos 3 anos no Brasil. Principalmente ano que vem, que é um ano politico, e acredito que os ânimos estarão ainda mais elevados”, avalia Greice.

Outro ponto que contribui negativamente nesse cenário, de acordo com a economista, que atua na bolsa de valores, é a estagnação de reformas essenciais ao país, que se mantém paradas no Congresso Nacional, como a reforma tributária, “que avança de forma morosa”. “Essa lentidão não agrada o investidor, nem o empresário. Toda essa situação vai postergando a economia e a aprovação das reformas essenciais, que enquanto não forem aprovadas, o país não deslancha, infelizmente”, opina.

Por esse impacto no aumento do dólar e na queda da bolsa, vê-se, por consequência, uma alta na inflação, que causa um aumento em cadeia nos produtos consumidor pela população e no poder aquisitivo das famílias. “. Os alimentos sobem demais, o combustível também. Há um encarecimento da energia elétrica, que nós estamos com um aumento atrás do outro. Do gás de cozinha… Com isso, vemos o endividamento das famílias e uma demanda reprimida, ou seja, a pessoa com uma renda X não consegue comprar o que comprava com esse valor”, esclarece Greice, que também acrescenta como consequência a oneração das empresas, que para enxugar custos demitem seus funcionários e elevam o desemprego já elevado.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar (PNAD) Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no último dia 31, Goiás registrou taxa de desemprego de 12,4% no segundo trimestre desse ano – maior porcentagem já registrada no período deste o início da série histórica, iniciada em 2012. Ao todo, são cerca de 447 mil pessoas desempregadas.

Para Greice, a atitude do presidente frente às condições em que o Brasil se encontra, no objetivo de melhorar a economia do país, deveria ser de harmonização, não de acirramento dos ânimo ou de desafio e ameaça às instituições. “Esse alvoroço que ele causa, essas “ameaças” que ele faz, desafiando a democracia, impacta de forma negativa na economia e piora a imagem do Brasil no exterior. Quando a gente olha a repercussão das falas dele na bolsa, dependendo do que ele fala, a bolsa cai imediatamente”, explica a economista.

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