Bolsonaro diz que acordo entre WhatsApp e TSE “não vai ser cumprido”

Ao fim de motociata, presidente disse que “nossa democracia é açoitada diariamente” e mandou uma indireta: “Vocês sabem por quem”

Jair Bolsonaro chega a Americana após motociata e cumprimenta apoiadores | Foto: Reprodução

Nesta sexta-feira, 15, em Americana (SP), a 130 quilômetros de São Paulo, o presidente Jair Bolsonaro (PL) criticou, no encerramento de mais uma motociata de que participou, o acordo firmado entre o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o WhatsApp para adiar o lançamento de uma nova ferramenta do aplicativo no País que permite a criação de grupos com milhares de pessoas. Segundo o chefe do Executivo, o trato é “inaceitável”, “inadmissível” e não será cumprido.

A plataforma de conversação por mensagens estuda implantar um recurso chamado de “Comunidades” nos próximos meses, a partir do qual será possível agregar grupos em que poderão interagir até dez vezes mais do que os atuais, com 256 participantes.

Por conta do acordo firmado com o TSE para as eleições deste ano, a empresa se comprometeu a aguardar a realização do segundo turno para lançar a novidade no Brasil.

Em 2018, o WhatsApp foi tido como um dos maiores meios propagadores de desinformação e, desde então, a Meta, empresa que o gerencia, diz estar buscando medidas que reduzam o impacto das fake news. Em relação a isso, o presidente declarou:

“O que o WhatsApp está fazendo no mundo todo não tem problema, agora abrir uma excepcionalidade para o Brasil, isso é inadmissível, inaceitável e não vai ser cumprido esse acordo que porventura eles realmente tenham feito para o Brasil, com informações que eu tenho até o presidente momento.”

O TSE não respondeu às críticas de Bolsonaro. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o tribunal decidiu ainda recorrer a observadores internacionais para prevenir ataques ao bom transcorrer das eleições de outubro. Sob pressão de Bolsonaro, o TSE enviou ofícios para diversas autoridades e organismos internacionais para acompanhar a disputa pelo Palácio do Planalto.

Jair Bolsonaro disse também que ocupa o cargo graças a uma “missão de Deus” e voltou ao argumento da “liberdade” para condenar ações do Judiciário. “Mais valioso do que a nossa própria vida é a nossa liberdade. Nossa democracia é açoitada diariamente e vocês sabem por quem. Nosso direito de ir e vir, nossa liberdade de pensar e de expressar, nossa liberdade de culto, isso não tem preço. O Brasil é um país livre e eu o farei continuar livre, custe o que custar.”

* Com informações do jornal O Estado de S. Paulo.

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