Bolsas de estudos mudam a vida de alunos de universidades públicas de Goiás

Apesar de poucas vagas, auxílios ofertados pelo governo são essenciais para estudantes que buscam o diploma, mas não possuem condições financeiras para se manter

Uma das Casas de Estudantes Universitários da UFG que abriga bolsistas | Foto: Reprodução

Todos os dias Alcilas Borges da Silva Junior, de 32 anos, acorda na Casa dos Estudantes Universitários de Goiás 1, no Setor Universitário, onde mora com mais de 100 estudantes. O acadêmico, que está no quinto período de licenciatura em educação física da Universidade Federal de Goiás (UFG), usa suas manhãs para desenvolver as atividades da iniciação científica da qual faz parte na faculdade e almoça no restaurante universitário. Depois das suas aulas, que acontecem no Campus Samambaia da UFG à tarde, Alcilas retorna à casa de estudantes para usar sua noite, e finais de semana, fazendo trabalhos acadêmicos ou descansando.

Essa é, normalmente, a rotina de universitários bolsistas. Os jovens, alguns moradores de casas universitárias, os que recebem bolsas de assistência ou de iniciação científica, outros que não pagam pelas refeições dos restaurantes da faculdade ou, ainda, os que recebem todos estes auxílios, que não tem reajuste há mais de dois anos, se esforçam muito pela conquista do diploma. Para Alcilas, “estes custeios são um direito, afinal, é o dinheiro do imposto pago pelos cidadãos que mantém essa política de permanência”.

De acordo com o acadêmico de educação física, que se vê privilegiado por ser um das pessoas a ter acesso e permanência em uma Universidade, as bolsas tem uma importância essencial. “Os auxílios tentam dar aos estudantes pobres condições para terminar um curso superior, e assim mudar a realidade de suas famílias, mudar esse perfil tão desigual da sociedade brasileira”, afirma o rapaz que, no início, trabalhava em uma rede de fast-food em período integral.

“Naquela época era impossível fazer as leituras, trabalhos ou mesmo ter força para prestar atenção às aulas. Tinha dias em que eu ia pra faculdade ainda de uniforme, pois não dava tempo de me trocar, então eu passei pelo processo de acompanhamento da Coordenação de Serviço Social e consegui a vaga na moradia e a bolsa permanência”, relatou Alcilas. Com esta segurança, ele pôde deixar o trabalho e se dedicar ao curso da carreira que escolheu.

Hoje, também coordenador de Políticas da Secretaria Nacional de Casas de Estudantes (SENCE), Alcilas acredita que a adesão aos sistemas atuais de inclusão traz cada dia mais os menos favorecidos para dentro das universidades. “Apesar de isso ser bom, infelizmente ainda é difícil que todos permaneçam e terminem seus cursos. As verbas que vêm ainda estão muito longe de atender a todas e todos que realmente precisam desse apoio”, alerta o universitário que certamente não estaria estudando para ser um bom professor, se não fossem as bolsas que o auxiliam.

Estes auxílios oferecidos pela UFG, recebidos por Alcilas, que ajudam estudantes a se manterem na faculdade, são chamados de bolsa social e fazem parte do Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) do Ministério da Educação (MEC). O recurso, que é destinado a universitários que comprovam não possuir renda e condições financeiras pra estudar é oferecido em todos os cursos do instituto, porém, está longe de atender a todos que precisam.

Quem diz é a pró-reitora de assuntos estudantis, Maisa Miralva da Silva. Segundo ela, menos de 30% dos 25 mil alunos da UFG são assistidos por algum tipo de bolsa. “No caso dos benefícios de assistência em Goiás, 1600 são bolsas sociais [1400 em Goiânia], 580 de auxílio moradia [150 em Goiânia], 350 vagas em moradias estudantis em seis casas de estudantes que existem em na Capital”, enumera. Além disso, Maisa disse que apenas 3205 estudantes têm isenção total de alimentação (que pode contar como um tipo de bolsa) e outros 18547 pagam no almoço ou janta o valor de R$ 3.

Para pró-reitora “a pessoa, estudante da faculdade ou que pretende ingressar, que não tem condições financeiras, precisa saber que programas como estes existem”. Porém, a profissional sinalizou que infelizmente o número de pessoas que procuram as bolsas é bem maior do que o número de pessoas que conseguem ser atendidas.

“Embora muitas pessoas sejam contempladas com as bolsas e embora o recurso do PNAES destine R$ 24 milhões por ano apenas para Goiás atendendo, além de Goiânia, os campi de Catalão, Cidade de Goiás, Aparecida de Goiânia e Jataí, o recurso ainda não é suficiente para atender a todos”, reforça Maisa.

O site da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis da UFG (Prae) ou a rede social do órgão publicam as informações necessárias para que os interessados acompanhem os editais.

De acordo com a UFG, além das bolsas de assistência social, outras bolsas de monitora (de pesquisa, iniciação cientifica e tecnológica) somam 977 vagas ocupadas pelos universitários.

UEG

Outro instituto público que oferece bolsas a universitários é a Universidade Estadual de Goiás (UEG). A faculdade possui um programa próprio de oferta de bolsas. Atualmente, no total, são 15 modalidades de auxílios que somam 1524 vagas e variam entre R$ 500 e R$ 2,2 mil. Além disso, também existem 390 vagas de oito tipos de bolsas de financiamento externo, as quais as remunerações variam entre R$ 400 e R$ 1,4 mil.

A Bolsa Permanência (R$ 400) é o auxílio que mais fornece vagas, 500 atualmente. De acordo coma UEG, o objetivo é incentivar a continuação de acadêmicos classificados em condições de vulnerabilidade socioeconômica nos cursos de graduação presencial.

Para se informar sobre as vagas e disponibilidades também é preciso acompanhar os editais presentes no site da Coordenadoria Central de Bolsas (CCB) da universidade.

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Eva Dourado

Quem entrou este ano na ufg, sendo calunga até agora não recebeu a bolsa, e vai abandonar a faculdade por não ter condição financeira de pagar o aluguel para estudar em goiania.este calunga veio da cidade de Cavalcante Goiás.o estudante e Fabrício dos Santos Lustosa costa

Joelma Feitosa Araújo

Muito legal da parti de vcs oferecem essas bolsa de estudo pra aqueles que não tem condição financeira pra pagar uma faculdade vcs estão de parabéns com essa atitude