Bolsa brasileira já perdeu mais de R$ 1 trilhão e ainda pode perder mais 

‘Cisne negro’ do coronavírus “pegou o mundo de surpresa” haja vista que, no final de 2019, bolsa asiática sequer deu sinais de alguma anomalia em seus números. Especialista explica o cenário catastrófico

Foto: Reprodução

A pandemia do novo coronavírus trouxe ao mundo uma grave instabilidade econômica. Além das óbvias desgraças geradas em decorrência do espalhamento da doença pelo mundo, é preciso se atentar também aos reflexos disso na economia. O ano de 2020 tinha tudo para ser bom, economicamente falando. “Seria o ano do fortalecimento da nossa recuperação”, explica a economista e analista de mercado, Greice Guerra. Segundo a especialista, a estimativa, no fechamento do ano passado, era de um crescimento de até 2,5% para esse ano. “Essa era nossa projeção”.

“Cines negros”

“Acontece que todos foram pegos de surpresa pelo coronavírus (Covid-19). Um jargão muito utilizado na bolsa de valores em momentos como esse são os chamados ‘cisnes negros’. Eles representam aqueles acontecimentos não controlados pela humanidade. Podemos até prevê-los, o que, dessa vez, não foi o caso”, disse.

Isso porquê, segundo Greice, no final de 2019 a bolsa asiática sequer deu sinais de alguma anomalia em seus números. “Não houve qualquer disfunção em relação a sua atuação no mercado. Esse ocorrido pegou todo o mundo de surpresa”.

Questão de tempo?

Segundo a especialista, estimar a recuperação da bolsa neste momento ainda é muito precoce. No entanto, ela arrisca que os números não devem se recuperar até 2021. “Hoje o mercado está operando a 63 mil pontos [antes da pandemia a B3 oscilava próxima aos 117 mil], temos um volume de negócios baixíssimo, investidores extremamente temerosos, ações que caíram drasticamente, ou seja, não acredito que possamos voltar àquele patamar com menos de um ano. É preciso considerar que a bolsa de valores, só em março, perdeu R$ 669 bilhões em valor de mercado e mais de R$ 1 trilhão em dinheiro”, disse.

Greice aposta que os números podem apresentar uma recuperação mais significante em caso de descoberta de uma vacina ou um tratamento realmente eficaz para doença.

Espaço para novas quedas

Questionada sobre a possibilidade dos investidores viverem dias de ainda mais queda, disparou: “podemos, sim, descer ainda mais. Não sei se chegamos exatamente ao fundo do poço. Dependendo dos desdobramentos da crise podemos chegar ao patamar dos 50 mil pontos”.

Na interpretação da especialista, grandes problemas ainda estão por vir. “Quando a situação toda acabar certamente enfrentaremos problemas em relação ao desemprego, fechamento de empresas e negócios de pessoas autônomas”.

Governo Federal

Questionada sobre as medidas adotadas pelo Governo Federal no intuito de conter a crise econômica, Guerra explicou: “As medidas que o governo tem adotado até aqui são medidas para conter a disseminação da pandemia. Porém, para o mercado ainda não chegou nada efetivo”.

Segundo ela, o que os especialistas têm observado é, na verdade, o setor produtivo parado. “Não se compra, não se vende, não se negocia”. “O que temos visto são medidas como a antecipação do 13° salário para os aposentados, um auxílio de R$ 200,00 para os que estão na informalidade, o não corte de água, energia e internet para a população e algumas outras. Essas são ações irrisórias que infelizmente não sustentam a recessão que entramos. Ainda é muito pouco”.

As consequências econômicas dessa crise mundial gerada pela disseminação do novo coronavírus serão “duríssimas”. Para ela, “a desaceleração é global e trará sérios impactos a nossa economia que mal se recuperou e continua extremamente convalida”, pontua.

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