Bessa garante que com reajuste proposto pela prefeitura todos professores receberão acima do piso nacional

Nesta terça-feira, 15, Prefeitura determinou reajuste de 33,24% aos professores de início de carreira e de 7,5% às demais categorias de educadores

Mesmo com as negociações ainda em andamento, os professores da rede municipal de ensino de Goiânia, iniciaram o movimento grevista nesta quarta-feira, 15. Segundo o secretário Municipal de Educação, Wellington Bessa, o município tem buscado equalizar os reajustes reivindicados com a capacidade financeira da capital. A proposta é de que seja dado aumento de 33,24% aos professores de início de carreira e de 7,5% às demais categorias de educadores. “Todos os professores da rede teriam salário acima do piso nacional da educação”, afirma.

Bessa aponta que o impasse junto a categoria não passa pela garantia do pagamento do piso nacional dos professores, mas sim, pelo desejo do sindicado de que haja um reajuste linear para toda a classe. “Esse aumento do piso é o valor de base. Piso é o mínimo que o professor pode ganhar. Como subiu esse valor, eles (professores) querem que se aplique esse percentual de 33,2% a toda a tabela salarial. Ou seja, o que é para garantir um patamar mínimo, querem que seja um aumento linear na remuneração de todos os professores”, explica o secretário de Educação.

Nos cálculos da Prefeitura de Goiânia, ao conceder o reajuste de 33,2 de forma linear, ou seja, para todos os profissionais da educação, o orçamento da gestão municipal ficaria comprometido. “É algo inviável. Hoje a folha da educação equivale a mais de um terço do orçamento. Se aplicar um percentual linear todo o recurso ficaria apenas para custear a folha de pagamento. Não teria capacidade de abrir uma escola ou mesmo a aplicação na merenda, por exemplo”, diz Bessa. Ele exemplifica com casos de servidores com vencimentos superiores a R$ 10 mil, e que se estes recebessem o reajuste reivindicado, o município não conseguiria arcar com toda a folha.

Bessa ainda negou o argumento utilizado de que a partir do reajuste linear, Goiânia passaria a receber mais recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (Fundeb), por parte do Ministério da Educação. “Aumentou-se o piso em 33%, mas o valor do Fundeb que recebemos do governo federal continua o mesmo valor. No ano passado, esse valor foi responsável por apenas 55% da nossa folha de pagamento”, disse o secretário, ao ressaltar o peso do que ainda precisa ser custeado pelo orçamento do município.

A declaração de greve logo não era esperada pela pasta, de acordo com o titular. Isso, porque a secretaria argumenta que nunca antes uma greve foi deflagrada pelos profissionais da educação com a realização de apenas duas assembleias por parte dos sindicatos. Segundo Bessa, a prefeitura não saiu da mesa de negociação com a categoria e espera alcançar avanços.

“Hoje, mais de 100 mil famílias têm sido prejudicadas por essa decisão precipitada. Mas nós buscamos a valorização dos servidores, mas a greve é o pior caminho. Ela só atrapalha e não aumenta as condições da Secretaria de Educação ou o orçamento. A paralisação prejudica nossos alunos”, afirma o secretário.

Problema nacional
Ao estabelecer o reajuste de 33,2% no piso nacional dos professores, o presidente Jair Bolsonaro (PL) levantou preocupação dos prefeitos de todo o País, justamente pela capacidade dos cofres municipais de absorver o impacto da folha. A Frente Nacional de Prefeitos (FNP) chegou a alertar para riscos fiscais e jurídicos em torno da medida. De acordo com a FNP, as finanças municipais não suportam os reajustes no atual cenário de incertezas em que vive o Brasil.

As greves não ocorrem somente em Goiânia. Na cidade de Aparecida de Goiânia, a prefeitura já é alvo de ameaça de movimentos grevistas, que podem se iniciar a partir da próxima semana. Em Recife a greve ocorre desde o último dia sete de março. Servidores da educação Estadual de Minas Gerais também estão de braços cruzados. Outros municípios do interior de São Paulo e também na região norte do país passam pela mesma situação.

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