Beijar os filhos na boca é certo ou errado? Especialista alerta para perigos do selinho

Após cenas de carinho entre pais e filhos causarem polêmica nas últimas semanas, Jornal Opção entrevistou psicóloga sobre a linha tênue entre carinho e abuso

Cenas de carinho entre pais e filhos causaram polêmica nas últimas semanas. Primeiro, na 18ª edição do Big Brother Brasil (BBB), a intimidade entre os participantes Ayrton, de 56 anos, e a filha dele, Ana Clara, de 20 anos, gerou comentários nas redes. Depois, o marido da modelo brasileira Gisele Bündchen, Tom Brady, beijou o filho mais velho, Jack, de 11 anos, em imagens exibidas em um documentário sobre o atleta.

Nas duas situações, internautas criticaram e defenderam que pais possam beijar os filhos na boca. “O pai beijando a filha, sarrando, beijando a barriga e colocando a mão na parte intima dela, o sobrinho também e mãe parece que se faz de tapada, isso aí que vocês chamam de representar a família brasileira?”, questionou um telespectador do BBB.

Após repercussão, os envolvidos tiveram que se manifestar. No BBB, apesar do reality show nunca abordar assuntos “externos”, a produção fez questão de chamar os quatro integrantes da família Lima para falar sobre os momentos de carinho entre pai e filha. A modelo Gisele, por sua vez, defendeu o marido. “Tom é um grande pai, ama seus filhos e o beijo foi um momento fofo”, justificou.

Mas, afinal, beijar o filho na boca é certo ou errado? De acordo com a psicóloga, psicopedagoga, sexóloga e especialista em educação sexual Carolina Freitas, a polêmica surge justamente pelo fato de o beijo ser considerado um comportamento sexualizado por fazer parte de relações românticas.

De acordo com a especialista, a orientação principal é para que se evite a erotização precoce dos filhos. “Nós não sabemos o que se passa na cabeça da criança, como ela recebe a questão do beijo, é preciso sempre ficar atento”, orientou.

Como a educação sexual começa dentro de casa, todos os limites precisam ser bem conversados para que se entenda que o beijo é, nesses casos, apenas uma demosntração de carinho que deve acontecer somente entre determinados familiares.

Um outro ponto a ser avaliado também, de acordo com Carolina, é que algumas crianças se sentem constrangidas, mesmo que o beijo seja um ato de carinho. “Se a criança se sente constrangida ou indica algum sinal de nojo, é hora de reavaliar a questão”, diz.

Na cena envolvendo Tom Brady, por exemplo, o garota limpa a boca com a camiseta após um beijo demorado na boca do pai.

Psicóloga e Sexóloga Carolina Freitas | Foto: Divulgação

Diferenças

Como vivemos em sociedade, é importante avaliar também a abertura dos outros com relação ao beijo. “Temos que pensar as demonstrações de carinho, como isso é feito dentro da família, e como a criança leva isso para fora de caso. Por exemplo, quando alguma criança beija um amigo na boca, os pais do colega não podem gostar, e têm esse direito”, afirma a psicóloga.

Para quem analisa a questão de fora, como um professor, a questão é observar os limites entre uma ação de carinho e um abuso. “Temos que ver o contexto familiar, se está adequado ou não, se há constrangimento ou não”, resumiu.

Por fim, a especialista indica que, independente da escolha da família, a principal atitude é olhar o bem-estar da criança. Segundo ela, se a família entende como um afeto e conversa sobre isso, tudo bem, mas se a criança não gosta do beijo ou se está confundindo as coisas, a melhor opção é pensar em outras demonstrações de carinho.

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Gustavo Silva

Sou pai de um rapaz de 17 anos,nós sempre fomos muito unidos.Nós custumamos dar um beijo na boca ,ele está muito crescido,mas acho que é apenas um ato de carinho e de afeto e é uma recompensa por ser um bom pai.É tão bom ter um filho que nos dê um beijo.