Beijaço em frente ao 1008 presta solidariedade a casal gay hostilizado no local

Cerca de 50 manifestantes usaram a tarde de domingo para repudiar atitude do tradicional bar. Advogado e produtor denunciaram ter sido agredidos com faca

| Foto: Polli di Castro

Depois de denunciarem discriminação no bar, casal voltou em meio a outros manifestantes para repudiar atitude do estabelecimento | Foto: Polli di Castro

Prestando solidariedade à denúncia do advogado Leo Wohlgemuth Lôbo e de seu namorado, o produtor cultural João Lucas Ribeiro, de que teriam sido hostilizados no bar 1008, no Setor Pedro Ludovico, um grupo de manifestantes resolveu organizar um beijaço em frente ao estabelecimento. O protesto foi realizado na tarde deste domingo (14/2). O casal, que contou ter sido ameaçado inclusive com uma faca, também esteve presente.

Em entrevista ao Jornal Opção, os organizadores comemoraram a adesão ao beijaço, que foi promovido sem grandes problemas. Os manifestantes se concentraram no Parque Areião e seguiram juntos ao restaurante. O beijaço ocorreu debaixo de chuva, ao som de Modern Love, do David Bowie. Segundo a organizadora do ato, Larissa Mundim, foram cerca de 50 pessoas participando. Em frente ao 1008, eles também fizeram a leitura de um manifesto escrito pela militante e ativista GLBT, Priscila Martins.

No manifesto, um protesto à definição de “bar de família”, utilizada para justificar discriminações: “Não mais estamos dispostas e dispostos a ouvir ‘este é um bar familiar’, porque nossas famílias, que estão aprendendo ou já aprenderam a respeitar formas diferentes de amar, se indignam quando voltamos destruídos, desmoralizados, violentados por gente que não se presta a saber o que é realmente o amor ou mesmo a empatia. Se nossas famílias vêm aprendendo, a sociedade também pode”.

Beijaço ocorreu ao som de Modern Love, de David Bowie | Foto: Polli di Castro

Beijaço ocorreu ao som de Modern Love, de David Bowie | Foto: Polli di Castro

O jornalista Rodrigo Oliveira se disse satisfeito com o protesto: “Foi linda a manifestação, éramos poucos, mas somos barulhentos”. Segundo ele, até a chuva, que poderia ter atrapalhado o ato, deixou a ação mais bonita: “Isso deu um charme especial ao beijaço”, brincou.

Rodrigo ressaltou que mesmo quem não pôde ir apoiou pela internet: “O apoio virtual também é um alento para a causa”. Ele contou que algumas pessoas vaiaram os manifestantes, mas muitas outras aplaudiram, mostrando apoio. Os donos do estabelecimento não tentaram impedir o protesto, garantiu ele: “Estávamos na rua, um espaço público, e a manifestação era pacífica. Não houve nenhum contato físico entre os manifestantes e a clientela ou os funcionários ou sócios do bar”.

Entenda o caso

No último sábado (6/2), Leo e João Lucas almoçavam no restaurante e, segundo Leo, estavam de mãos dadas e trocavam carinhos quando foram abordados por um garçom, que pediu que eles parassem. Houve bate-boca até que eles resolveram deixar o local. Neste momento, os garçons não só teriam ido atrás do casal como também colocado uma faca no pescoço de Leo e pegado o celular de João Lucas.

Por outro lado, o proprietário do bar, Clayton Gonçalves, conta outra versão da história. De acordo com ele, o casal “se pegava mesmo” e protagonizou cenas fortes. Ele admite que o gerente pediu mais discrição, mas alega que eles não foram destratados e tampouco agredidos com uma faca. Cleiton afirmou que os garçons só foram atrás deles apenas para receber o dinheiro da conta.

Em resposta à denúncia, internautas bombardearam a página do bar com mensagens contra homofobia e organizaram o protesto deste domingo. Clayton afirmou, quando a denúncia foi publicada pelo Jornal Opção, que liberaria imagens das câmeras de segurança para sustentar sua versão, mas a reportagem ainda não conseguiu acesso aos vídeos.

Para organizadores, chuva não atrapalhou. Pelo contrário, deixou o protesto mais "charmoso" | Foto: Polli di Castro

Para organizadores, chuva não atrapalhou. Pelo contrário, deixou o protesto mais “charmoso” | Foto: Polli di Castro

Confira o manifesto lido durante o beijaço:

Senhoras e senhores clientes, senhor Cleiton José Gonçalves, proprietário do bar e restaurante 1008, e Cidade de Goiânia,

Este é um ato-protesto, mas, antes de tudo, é um ato-manifesto, de respeito à diversidade e à livre expressão de amor. Por isso ousamos dizer que o que trouxemos para essa tarde de domingo é um ato de amor.

Parece simples, mas ainda é mais simples que as pessoas entendam que o amor se manifesta de diversas formas e que todas elas merecem respeito.

Não mais estamos dispostas e dispostos a ouvir “este é um bar familiar”, porque nossas famílias, que estão aprendendo ou já aprenderam a respeitar formas diferentes de amar, se indignam quando voltamos destruídos, desmoralizados, violentados por gente que não se presta a saber o que é realmente o amor ou mesmo a empatia. Se nossas famílias vêm aprendendo, a sociedade também pode. E deve. E eu gostaria de lembrar que a Idade Média já acabou faz tempo.

Não estamos mais dispostas e dispostos a ouvir que o lugar dos negros é na senzala, que o das mulheres é na cozinha, das travestis na prostituição forçada, e que o lugar de gays, lésbicas e transexuais é no armário. O lugar das pessoas é onde elas quiserem.

Estamos em todos os lugares. Não vamos mais ser violentados. Não vamos mais ser tratados como cidadãos de segunda classe. Se o dinheiro hétero vale, o nosso também vale. Se as carícias hetero valem, as nossas também valem. Exigimos respeito! Exigimos direitos iguais, nem menos, nem mais!”. 1008, Nunca mais!

Este ato-manifesto é oferecido também, e principalmente, a todas as pessoas LGBTs que não aparecem nos jornais. Que têm suas vozes silenciadas pela exclusão e por todos os outros tipos de violência. Este é um ato-manifesto pelas afeminadas que são xingadas nas ruas, pelas lésbicas que apanham dos pais de suas companheiras, pelas pessoas trans que não têm seus nomes respeitados e pelas centenas de travestis que são assassinadas de forma brutal nesse país.

Um estabelecimento como esse não ignora apenas a lei maior desse país, a Constituição, no seu artigo 5º, em que todos são iguais perante a lei. Um estabelecimento como esse ignora o que possa ser o amor. Esse, sim, um crime que não cabe à lei julgar.

Este ato é, portanto, um ato de amor que compartilharmos com vcs. Boicote à homofobia, e um viva o respeito às diferenças!

 

6 respostas para “Beijaço em frente ao 1008 presta solidariedade a casal gay hostilizado no local”

  1. Doriedson Aiala disse:

    Já chega dessa palhaçada.

  2. Rafael Freitas disse:

    É isso ai, são pessoas que não saem da zona de conforto, não vê a diversidade em todo lugar tornando o seu eu pessoal ignorante.

  3. Willian Laurinddo disse:

    Quero viver pra ver esse “respeito às diferenças” se concretizar… Torço muito por isso!

  4. Pierre disse:

    Todos os bares de Goiânia tem em seus Cardápios; Proibido Cenas Amorosas. Fato que algumas pessoas sejam elas ou não homosexuais exageram na demonstração de afeto. Não curtiu a atitude do estabelecimento não volte mais ali… Eu faço assim, frequento onde me sinto bem e me tratam bem.

  5. Epaminondas disse:

    Heterossexuais, uni-vos! Não vamos deixar por menos e vamos até a um reduto homossexual e promover um beijaço heteressoxual!

    Alguém sabe quando é o próximo Villamix?

  6. Charles de Matos disse:

    Gente mas é difícil né.
    Uma vez fui no Don Guina, e reclamei pq a cerveja estava quente. O cara só virou pra mim e disse: “Tá achando ruim, vai em outro bar”.
    Enfim foi o q eu fiz, nunca mais voltei lá.
    É simples de resolver. Não gostou da atitude do 1008? Não volte mais lá. Simples assim.
    Agora essa galera que gosta de protestar “ah vamo manifestar aqui, que absurdo”. Gente, é um estabelecimento privado, eles tem o direito de impor a regra que eles quiserem. Achou ruim? Vai pro Pilão, lá eles são de boa.
    É a mesma coisa d’eu chegar na Cantina San Marco, com roupa de academia e começar a falar alto, e outras coisas. Não é o lugar.

    E outra… essa história tá um pouco mal contada, igual o caso das mulheres do bar Quitandinha lá em SP. Só foi liberar as imagens das câmeras e, OPA! Parece que a história não tinha sido bem a que elas contaram.

    Tomara que liberem as imagens das câmeras. E que se o 1008 estiver com a razão, que todos que fizeram a manifestação e apoiaram no Facbeook peçam desculpa publicamente. É muito fácil ganhar like no FB por rage, mas ninguém admite culpa.

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