Base de Iris manobra mais uma vez e adia votação de projeto contra “IPTU do puxadinho”

Com novo pedido de vista, apreciação do decreto que suspende cobrança de taxa extra aferida por meio de drones deve ficar para o ano que vem

Plenário da Câmara | Foto: Larissa Quixabeira/ Jornal Opção

Foi aprovado pelo plenário da Câmara Municipal de Goiânia nesta terça-feira (12/12) pedido de vista do vereador Tiãozinho Porto (Pros) ao projeto de decreto legislativo que susta os efeitos da instrução normativa da Secretaria Municipal de Finanças de maio de 2016 que autorizou os lançamentos adicionais de IPTU dos chamados “puxadinhos” com base em fotos aéreas.

Com 17 votos favoráveis e 11 contrários, a base do prefeito Iris Rezende (PMDB) garantiu, mais uma vez, que a matéria não fosse votada. A justificativa apresentada pelo autor do pedido é que seria preciso realizar diligências antes da votação.

“Como é que Goiânia tem quase 700 mil casas e apenas 80 auditores discais, como não usar de tecnologia para organizar isso? Daqui a dez, 20 anos, vai ter pessoas suficientes para fiscalizar casa por casa. Hoje é salutar, importante, usar as tecnologias”, defendeu.

Autor do decreto para suspender a cobrança, o vereador Delegado Eduardo Prado (PV) criticou a manobra e alertou para a ilegalidade da medida — que afetou, só em 2017, mais de 120 mil moradores da capital.

“Se a prefeitura não tem estrutura, problema é da prefeitura. Esse projeto está desde fevereiro, podia ter pedido diligência na CCJ [Comissão de Constituição e Justiça], se o vereador quer mesmo auxiliar sociedade, traga o projeto de volta nesta quarta-feira para que possamos votar”, rebateu.

A discussão calorosa respingou no presidente da Casa, Andrey Azeredo (PMDB), aliado do prefeito Iris Rezende, que foi acusado de manobrar para garantir a votação do pedido de vista de Tiãozinho Porto. “Aqui não se usa de manobra, essa mesa está fazendo o que manda o regimento”, rebateu.

Aprovado o adiamento da votação, vereadores lamentaram a decisão dos colegas.

“Por que não faz atualização dos imóveis, algo definitivo e com segurança? O nome puxadinho já diz tudo, essa é a gestão do puxadinho, que faz tudo pelas coxas, pela metade. Vai passar a conta da má gestão para o coitado do cidadão, que vai ter que pagar a conta. Iris tem oportunidade de corrigir uma distorção da gestão passada. Povo não tem culpa”, lamentou Lucas Kitão (PSL).

Como o pedido de vista dá prazo de dez dias úteis ao vereador, a expectativa é que a votação fique para o próximo ano.

“Quem votou para aprovar esse pedido de vista tem que ter consciência de que votou para adiar a análise para o ano que vem. Ou seja, garantiu a cobrança deste ano”, lamentou Sabrina Garcêz (PMB).

Veja abaixo os vereadores que votaram a favor do pedido de vista, ou seja, pelo adiamento da votação.

Anderson Sales Bokão (PSDC)
Anselmo Pereira (PSDB)
Carlin Café (PPS)
Dr. Paulo Daher (DEM)
Emilson Pereira (Podemos)
GCM Romário Policarpo (PTC)
Izídio Alves (PR)
Jair Diamantino (PSDC)
Juarez Lopes (PRTB)
Kleybe Morais (PSDC)
Leia Kébia (PSC)
Oséias Varão (PSB)
Paulinho Graus (PDT)
Paulo Magalhães (PSD)
Tiãozinho Porto (Pros)
Vinícius Cirqueira (Pros)
Welinton Peixoto (PMDB)

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.