Barusco reafirma que propina vinda do esquema na Petrobras financiou campanha de Dilma em 2010

Ex-gerente da estatal disse que se encontrou com Vaccari a fim de tratar dos pagamentos ilícitos para o partido, mas não sabe se o tesoureiro recebeu o dinheiro

Barusco afirmou, em depoimento à CPI, que dinheiro da propina financiou campanha de Dilma em 2010 | Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

Barusco afirmou, em depoimento à CPI, que dinheiro da propina financiou campanha de Dilma em 2010 | Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

O ex-gerente executivo da diretoria de Serviços da Petrobras, Pedro Barusco, afirmou em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras que houve repasse de dinheiro por meio do esquema que funcionava na estatal para a primeira campanha da presidente Dilma Rousseff (PT), em 2010.

Ao ser questionado pelos parlamentares sobre quais campanhas presidenciais ele citou em seu depoimento ao dizer que dinheiro vindo das propinas da SBM Offshore financiou campanhas em 2010, ele afirmou que o dinheiro foi encaminhado ao PT. “Foi solicitado a SBM um patrocínio de campanha, só que não foi dado por eles diretamente. Eu recebi o dinheiro e repassei num acerto de contas em outro recebimento”, afirmou.

O ex-gerente da Petrobras confirmou ainda que se reuniu com o tesoureiro do PT João Vaccari Neto para tratar do recebimento de propinas para o partido no esquema de desvio de dinheiro que envolvia a estatal, empreiteiras e políticos.

De acordo com Barusco, ele e o tesoureiro se conheceram durante uma reunião com o ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque.  “Os encontros com Vaccari, via de regra, eram em hotéis e duravam cerca de uma hora. Eu não participava de todas as reuniões; normalmente quem recebia o Vaccari era o Duque”, explicou.

O deputado Afonso Florence (PT-BA) perguntou ao ex-gerente da estatal se ele tinha provas de que o tesoureiro do Partido dos Trabalhadores recebia parte da propina. “Que provas o senhor tem de que Vaccari Neto lhe obrigou a participar de ilícitos?”

“Eu contei a verdade para a Polícia Federal e o Ministério Público [Federal]. Contei a verdade, mas não tenho a documentação. Contei como acontecia, os encontros, a divisão [da propina], simplesmente falei o que eu sabia”, respondeu Barusco.

Além disso, o delator assumiu não saber quem autorizou João Vaccari a se relacionar com as empresas. “Mas o fato é que ele atuava, sim”, disse Barusco, que garantiu jamais ter feito pagamentos ao tesoureiro do PT.

O ex-gerente estimou que o partido tenha recebido de Us$ 150 a US$ 200 milhões entre 2003 e 2013, mas que não tem como afirmar que Vaccari recebeu o dinheiro. Ele também afirmou que o foi em 2003 que o esquema envolvendo empresas se intensificou e que percebeu a atuação nos contratos das Refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e no Comperj, no Rio de Janeiro. “A gente sabia que existia o cartel”, disse.

Barusco também afirmou não se lembrar de haver extorsão com as empresas participantes do esquema. “Eu fico procurando na minha mente, na minha memória e não encontro caso nenhum de extorsão. Era uma relação normal, uma relação em que se acordavam as coisas, havia um conflito aqui e ali para se discutir alguma coisa, mas extorsão eu nunca vi”, relatou.

Ele revelou ter recebido US$ 97 milhões em propinas de 2003 a 2011, quando trabalhava na Petrobras, e entre 2011 e 2013, período em que ocupou uma diretoria na empresa Setebrasil, criada para construir sondas de perfuração do pré-sal. Ele disse que parte do dinheiro está sendo repatriada.

*Com informações da Agência Brasil

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