Unidade que abastece o Hospital de Câncer teme que o recuo afete os pacientes oncológicos que, devido a natureza própria do tratamento, precisam de sangue diariamente

Araújo Jorge expõe queda no número de doares de sangue / Foto: Reprodução

Desde que a Organização Mundial de Saúde (OMS) sugeriu o isolamento social como forma de prevenir o avanço do coronavírus (Covid-19), muitas pessoas tem evitado sair de casa. Neste cenário, porém, os Bancos de Sangue têm sofrido fortes impactos com a quarentena.

A unidade que abastece o Hospital de Câncer Araújo Jorge (HAJ), por exemplo, já contabiliza uma diminuição de 40% no número médio de doadores/semana e teme que o recuo afete os pacientes oncológicos que, devido a natureza própria do tratamento, precisam de sangue diariamente. Como resposta da diminuição, os estoques estão quase zerados. A necessidade de hemotransfusões, porém, não diminui.

Ao contrário dos bancos de sangue tradicionais, a unidade do HAJ não trabalha com os chamados período sazonais. “Os quimioterápicos e radioterápicos atingem diretamente a medula óssea, o que impacta na produção das células e afeta o sistema imunológico de quem luta contra o câncer. Além disso, nossos pacientes não conseguem se alimentar bem, e acabam, na grande maioria das vezes, precisando de suporte hemoterápico”, explica a biomédica e supervisora técnica do Banco de Sangue do HAJ, Aline Fernanda.

Ela conta que das 160 pessoas atualmente internadas na unidade, estima-se que 45 façam uso diário do sangue armazenado no local. Só no Setor de Hematologia, por exemplo, 90% dos pacientes precisam, em algum momento de transfusão sanguínea. O percentual ganha ainda mais relevância quando cruzada com dados do Ministério da Saúde, que aponta que, até o final de 2019, apenas 1,6% da população era doadora de sangue.

“Para agravar a situação, muita gente acha que o HAJ é um hospital público e, por isso, ligado ao Hemocentro de Goiás, por exemplo. Mas não: somos uma instituição privada de caráter filantrópico e precisamos da contribuição da sociedade para manter nosso estoque em dia. Dele dependem milhares de vidas”, pontua Aline Fernanda.

A profissional lembra que o atual momento, com a risco eminente do Covid-19, torna a situação do hospital ainda mais delicada, pois o centro de referência cuida de pessoas com câncer, grupo considerado de risco ao lado de diabéticos, hipertensos e cardíacos.

Mais segurança

Para garantir a segurança dos doadores, o Banco de Sangue do HAJ vem adotando medidas de segurança contra o novo coronavírus. Há mais de um mês, os atendimentos estão sendo feitos mediante agendamento, com uma distância segura entre os doadores e depois de uma triagem ainda mais criteriosa.

“Durante a entrevista que antecede a doação de sangue, avaliamos o estado de saúde do doador, visando à proteção de sua saúde e da saúde do receptor. Desde os primeiros casos de Covid-19, estamos investigando também qualquer mínimo sintoma relacionado ao novo coronavírus”, adianta Aline.

O Banco de Sangue funciona de segunda à sexta, das 7 às 17 horas, na Rua 239, nº 181, Setor Leste Universitário. Informações pelo telefone (62) 3243-7031.