Bancada evangélica manifesta repúdio e indignação por samba-enredo de Gaviões da Fiel

Frente parlamentar fala em intolerância religiosa. “Nenhum direito é absoluto, logo o direito à manifestação artística não se sobrepõe à inviolabilidade da consciência e da crença”

Francisco Costa

O Carnaval deste ano tem sido marcado por manifestações e críticas políticas, e, também, religiosas. Em São Paulo, a escola de Samba Gaviões da Fiel foi uma das que polemizou. No sambódromo, ela apresentou, no último domingo, 3, um duelo entre Satanás e Jesus, mas com a derrota do filho de Deus. Resultado: líderes evangélicos furiosos.

Após todo a discussão que tomou as redes sociais, a escola de Samba chegou a publicar outro momento do desfile, mas dessa vez com a vitória de Jesus: “Jesus venceu o mal.” Em nota publicada na última segunda-feira, a Frente Parlamentar Evangélica da Câmara dos Deputados, manifestou “profunda indignação e repúdio ao espetáculo”. Destaca-se que o samba-enredo deste ano é uma releitura do apresentado em 1994 (A Saliva do Santo e Serpente do Veneno), que trata sobre a história do tabaco.

Chocar

Em entrevista a Globo, recuperada pela Folha de S.Paulo, o coreógrafo da Gaviões, Edgar Junior, disse que o embate tinha como intuito chocar. “Alcançamos nosso objetivo que era mexer com a polêmica Jesus e o Diabo e a fé de cada um.”

Lincoln Portela (PR), presidente da bancada religiosa, afirmou em nota assinada, que “aquela apresentação não é arte, é crime. Nenhum direito é absoluto, logo o direito à manifestação artística não se sobrepõe à inviolabilidade da consciência e da crença”.

Intolerância religiosa?

O advogado e escritor voluntário na Defensoria Pública do Estado de Goiás, Diego Quixabeira, diz que, no caso, existe uma colisão de direitos da personalidade. “De um lado, a liberdade de expressão, e do outro o direito a professar a religião e a fé que bem entender. A questão intolerância religiosa já foi discutida no Supremo e tratou de analisar a suposta ofensa a doutrina espírita perpetrada por um padre que dizia que o Espiritismo se tratava de uma religião do Diabo, uma seita maligna. Na ocasião, os ministros entenderam que não havia danos morais a serem indenizados, porque faz parte do escopo religioso a realização de proselitismo e que é próprio da linguagem religiosa a divulgação da própria religião como a salvadora e a outra como a errada.”

Em relação ao caso atual, segundo ele, resta saber quais os limites da liberdade de expressão e da liberdade religiosa. “A festa de carnaval traz alegorias variadas para simbolizar determinado momento histórico, cultural, religioso de forma artística. Neste caso estamos falando do direito a liberdade de expressão, liberdade religiosa e do carnaval como patrimônio cultural devendo ser protegido e incentivado pelo Estado.”

Por fim, Diego acredito que a Gaviões não será condenada, pois exerceu a liberdade de expressão e liberdade religiosa dentro da linguagem própria da religião, “sem com isso difamar ou violar os direitos de personalidade de quem pensa diferente”.

Parlamentares goianos

Tentamos contato com os deputados federais goianos Glaustin Fokus (PSC), Professor Alcides (PP) e João Campos (PRB), mas nenhum atendeu às nossas ligações.

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ziro

Não sou evangélico, mas todas culturas devem ser respeitadas, sejam asiáticas, africanas, aborígenas, todas devem ser respeitadas, principalmente as religiosas que fazem parte da formação de um povo, é a minha opinião, não gostei, achei uma tremenda falta de respeito, lucidez e sensatez contra os cristãos.

Antonio Carlos da Anunciação

É necessário haver respeito pela religião do outro. No momento que se prega tanto respeito o que fez a Gaviões da Fiel não é um desrespeito com o povo cristão? Ou tolerância religiosa só diz respeito aos outros? e aos cristãos não (católicos e evangélicos). Respeito é para com todos.

Ariadnis

Sinceramente a escola deveria respeitar Deus e não fazer essa palhaçada não se trata de religião e sim de respeito a Deus nanfoi atoa que perdeu, estou muito decepcionada com essa atitude da escola desrespeito total.