Presidente do Sintego nega acusações e frisa, inclusive, que é contra debates de gênero nas escolas

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Bia de Lima | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

A bancada evangélica da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) está tentando barrar a indicação de Bia de Lima ao Conselho Estadual de Educação (CEE). Ela, que é presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Goiás (Sintego) foi indicada por mais de 40 entidades para representar a associação no conselho.

No entanto os parlamentares da bancada evangélica e cristã acusam-na de ter defendido a ‘ideologia de gênero’ em sabatina na Alego. Segundo o deputado Rafael Gouveia (DC), “ela foi muito clara na sua posição dizendo que é realmente favorável à essa discussão nas escolas, na sala de aula”.

“Nós da bancada cristã, conservadores, defendemos que a escola não é o lugar para se discutir isso. É aonde os alunos vão para aprender matemática, português, geografia e não para discutir sexualidade. A grande polêmica da discussão da ideologia de gênero é querer colocar para os adolescentes e crianças que eles têm o direito de escolher aquilo que ele quer ser, que ele não nasce mulher ou homem”, completou.

Ainda segundo ele, a tentativa não é contra a pessoa da Bia, enquanto presidente do sindicato, mas contra o suposto posicionamento da indicada. “Por isso somos contrários à indicação dela, porque não iremos aceitar isso”, disse.

Nega

Bia, no entanto, rebate. Ela conta que em nenhum momento fez essa defesa como alegam os parlamentares. “Minha atuação não se pauta com essa argumentação, mas na defesa dos profissionais da Educação. Porém estão buscando algum subterfúgio para tentar fazer com que nós não cheguemos até o conselho”, considerou.

“Isso está claro, é só checar os anais da Assembleia e vão ver que não fiz essa defesa no dia da sabatina. Inclusive acho que essa polêmica da questão de gênero não pode estar no interior das escolas, pode ser discutido nas universidades. Mas dentro das escolas eu acho que vai mais atrapalhar do que ajudar”, disse, contrariando a acusação dos deputados.

O deputado Jefferson Rodrigues (Pros), que é pastor, disse que irá checar os anais para “não cometer injustiças”. Mas frisou que, se for comprovada sua fala, terá que se posicionar em nome de quem o elegeu. “Conforme nossas convicções”, pontuou.

Para conseguirem barrar a indicação, os parlamentares conservadores precisam de 21 votos. Até esta quinta-feira, 25, apenas seis se manifestaram favoráveis. Bia insiste que a acusação é infundada.