Auxílio emergencial serviu como única fonte de renda para mais de 180 mil goianos, diz Instituto Mauro Borges

Instituto mapeou o impacto do Auxílio Emergencial nos rendimentos dos goianos em 2020. Análise serviu como base para pacote econômico divulgado pelo Governo de Goiás

Saque do auxílio emergencial

Um levantamento realizado pelo Instituto Mauro Borges de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (IMB), vinculado à Secretaria-Geral da Governadoria (SGG), indica que o programa do governo federal destinado a trabalhadores informais e de baixa renda para minimizar os impactos econômicos causados pela pandemia de Covid-19, era a única fonte de renda de 181.306 residentes em Goiás, em novembro do ano passado.

Isso demonstra que o pacote econômico divulgado na última semana pelo Governo de Goiás atende ao vazio deixado pelo fim do auxílio emergencial (AE), além de auxiliar os setores afetados pelas restrições nos municípios em situação crítica que adotaram decretos mais rígidos para contenção do novo coronavírus.

Para a elaboração do estudo “População Vulnerável com o fim do Auxílio Emergencial em Goiás”, o IMB analisou dados referentes aos meses de maio a novembro do ano passado. Do total de domicílios goianos, 39,9% receberam o benefício em maio e 43,1%, em novembro.

Para o secretário-geral da Governadoria, Adriano da Rocha Lima, o estudo, além de confirmar a importância do benefício, também mostra que o auxílio atendeu a população no período de maior restrição. “Com a reabertura das atividades, a economia de Goiás cresceu, inclusive mais que a média do País, e essa dependência diminuiu”, afirma. Também destacou a importância desse tipo de análise para a proposição de políticas públicas de enfrentamento à pandemia.

A análise traz um recorte regional para a Região Metropolitana de Goiânia. Em novembro, 28% dos domicílios com renda exclusivamente proveniente do AE se encontravam na Grande Goiânia, sendo 18% apenas na capital.

O IMB demonstra que, mesmo com a liberação da maior parte das atividades econômicas no fim do ano passado, o que oportuniza a aferição de outros rendimentos, a diminuição do valor do AE nos últimos meses de sua concessão teve grande impacto na sustentabilidade de milhares de domicílios goianos.

Por isso, o auxílio se torna, segundo o estudo, ainda mais importante em períodos de restrição das atividades econômicas e sociais, como o que Goiás e vários outros Estados estão enfrentando por causa do agravamento da pandemia. “É um alívio na renda dos mais vulneráveis, em especial dos informais, nesse contexto de fechamento das atividades não essenciais”, diz o diretor do IMB, Guilherme Resende.

Apoio estadual

O pacote de ações determinado pelo governador Ronaldo Caiado, como o enfrentamento às medidas mais rígidas de isolamento social e o fechamento do comércio, inclui o repasse de R$ 28 milhões para ações sociais nos 246 municípios; a liberação de R$ 112 milhões para empréstimos a juro 0% para micro e pequenos empresários (desde que não demitam funcionários); a destinação de R$ 20 milhões para compra de 250 mil cestas básicas; e autorização de edital, no valor de R$ 2 milhões, para apoiar espaços culturais no Estado.

Sem rendimento

Mesmo com a grande abrangência do AE, no País e em Goiás, a análise do IMB detectou que, em maio do ano passado, 144.224 pessoas estavam sem qualquer rendimento no Estado, número que baixou para 28.172 pessoas no mês de novembro. Com relação aos domicílios, os números passaram de 60.371 para 13.142 no mesmo período.

Esse contingente de pessoas é importante, pois representam uma população em situação de extrema vulnerabilidade social e que necessita de apoio público. Em Goiás, esse apoio é feito principalmente pelo Gabinete de Políticas Sociais (GPS) e pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (SEDs).

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