Auxiliares da Educação não descartam greve por falta de pagamento de incentivo

Servidores reclamam de falta de diálogo com a gestão Iris Rezende e dizem que manifestação paralisou aulas em dezenas de unidades em Goiânia


Vídeo | Larissa Quixabeira / Jornal Opção

Os auxiliares da Educação fizeram uma mobilização nesta segunda-feira (5/3) pelo pagamento da gratificação de incentivo funcional no valor de 30%, que estava prevista no edital do concurso realizado em 2016, mas não tem sido pago pela gestão Iris Rezende (MDB).

Cerca de 300 pessoas se reuniram em frente à sede da Secretaria Municipal de Educação, no setor Leste Universitário, mas não foram recebidos pelo secretário Marcelo da Costa. Os servidores reclamam da falta de diálogo com a administração e não descartam a possibilidade de greve.

O coordenador do Sindicato Municipal dos Servidores da Educação de Goiânia (Simsed), Antonio Gonçalves, presente no protesto, diz que ainda é cedo para falar no assunto, mas ventila a possibilidade. “O prefeito e o secretário são desrespeitosos com os trabalhadores da Educação. Ainda é cedo para dizer, mas diante dessa falta de diálogo, tudo caminha para que tenhamos uma greve da Educação este ano”, afirmou.

Além dos 30% dos auxiliares, está na pauta de reivindicações dos trabalhadores da Educação o pagamento do piso salarial dos professores referente a 2018 e da data-base dos administrativos de 2017 e 2018.

Gratificação

Foto: Larissa Quixabeira / Jornal Opção

Desde que foram convocados em abril do ano passado, os auxiliares não recebem o incentivo, diferente de profissionais que já ocupavam o mesmo cargo anteriormente.

Hoje completamos 10 meses sem receber o auxílio. São 1.600 servidores que assumiram postos em 2017 e não contam com a gratificação. Além disso, a situação pode se agravar mais ainda pois foram convocados mais 500, ou seja, serão mais de 2 mil trabalhadores sem o benefício”, disse Cássio Guimarães, auxiliar administrativo e um dos líderes do movimento.

“Nosso cargo é administrativo, mas exercemos funções pedagógicas. Dentro da escola, somos nós que auxiliamos os professores, muitas vezes os substituímos na falta de profissionais. Por isso temos direito a esse incentivo”, explica Guimarães.

Segundo servidores, o valor da gratificação é de cerca de R$ 300 reais, o que faria uma grande diferença no orçamento de quem recebem um salário mínimo. “Talvez para alguns isso é pouco mas, para nós, é uma compra do mês.”Nós estudamos, fizemos o concurso e passamos.Não estamos pedindo regalia, é um direito adquirido, garantido por lei”, disse uma auxiliar ao Jornal Opção.

Por meio de nota, a SME atenta para o fato de que o edital diz que os ocupantes do cargo “poderão” receber o adicional de incentivo funcional, ou seja, abre a possibilidade para o aumento, mas não determina. “A Prefeitura de Goiânia já conseguiu reduzir o deficit financeiro e está se esforçando ao máximo para manter o pagamento do funcionalismo em dia, diferente da maioria das prefeituras brasileiras. Assim que tiver recurso disponível, o incentivo funcional será pago”, diz o posicionamento oficial da administração.

Reposição

Simsed emitiu certificado de participação para os presentes no protesto | Foto: Larissa Quixabeira

O movimento estima que mais de 100 escolas e Cmeis em Goiânia paralisaram as atividades nesta segunda-feira (5/3) em solidariedade ao movimento dos auxiliares. A SME não tem levantamento oficial de quantas unidades não abriram as portas, mas vai exigir a reposição do dia letivo.

Também por meio de nota, a Secretaria Municipal de Educação e Esporte (SME) informou que fará o levantamento das instituições paralisadas. “Como não há amparo legal para o ato, solicitará por parte das mesmas a reposição do dia letivo”, diz o posicionamento.

Para evitar que os servidores sejam prejudicados, o Simsed emitiu um certificado para que os que participaram do protesto possam comprovar que estiveram no ato e não serem penalizados.

“Na greve passada, essa administração também teve a mesma atitude arbitrária de cortar o ponto dos servidores que estão lutando pelos seus direitos e nós entramos na Justiça contra isso e se precisar, entraremos de novo. Além de não dialogar, agem com intimidação e desrespeito ao servidor. Essa manifestação de hoje não apenas é legítima como é legal também e não vamos aceitar essa arbitrariedade”, disse Antônio Gonçalves.

Está marcado para a próxima quinta-feira (8/3) uma assembleia geral dos servidores municipais da Educação, às 9 horas no Cepal do Setor Sul.

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