Aumento do uso da internet faz crescer o número de crimes cibernéticos

Em Goiás, o número de ocorrências lavradas foi 89% maior. No país, alta foi de 265%

Delegado vê migração do crime tradicional para o mundo virtual | Foto: Divulgação

Durante a pandemia de Covid-19 e período de isolamento social, o uso de computadores, celulares e tablets se intensificaram. O trabalho e estudo de forma remota foi a saída para estabelecer o distanciamento social. De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o uso da internet no Brasil cresceu durante a quarentena, sendo um aumento entre 40% e 50%. Com o uso tão intensificado dos meios digitais, uma questão atrelada a isso veio à tona: os crimes cibernéticos.

Sendo tipificado como todo delito que pode ser praticado com uso da informática, atingindo a segurança e que tem por elementos a integridade, a disponibilidade e a confidencialidade dos dados compartilhados, os crimes cibernéticos acontecem em ambiente de rede ou fora dele. De acordo com o advogado especialista em Direito Penal e Processo Penal, Caio Mendes, estas violações são crimes praticados pela internet, em que o computador é o instrumento material para sua perpetração. “O crime cibernético é um delito eletrônico tal como qualquer outra conduta criminosa que emprega a tecnologia como método, meio ou fim”, explicou.

No estado de Goiás o controle e combate dos crimes de origem virtual é da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC). Para o delegado adjunto da delegacia, Daniel Oliveira, a definição seria de crimes cometidos por meios cibernéticos. “Não existe uma pena para crime cibernético. Vai ter vários tipos de crimes, como a extorsão que a pena vai de 4 a 10 anos, podendo ter alguns agravantes. Temos também o crime contra a honra, que pode ser cometido na internet. Ou seja, vários crimes que podem ser cometidos por meio eletrônico”, explicou.

No estado de São Paulo, segundo a Secretaria de Segurança Pública Estadual, através de dados da Coordenadoria de Estatística e Análise Criminal (CEACrim), em 2020 houve um aumento de 265% nos crimes praticados no ambiente virtual. Já em Goiás, no primeiro semestre de 2020, o índice de o número de ocorrências lavradas na Delegacia foi 89% maior, quando equiparados ao primeiro semestre de 2019, de acordo com dados revelados pela delegada Sabrina Leles, titular da DERCC, na Revista Renascer.

Pandemia

Para Daniel Oliveira, é possível ver um aumento destes crimes, porém não se sabe dizer se é por conta da crise sanitária que acomete o mundo desde 2020. “A gente vê uma migração do crime tradicional para o mundo virtual. Acredito que seja pela facilidade do crime, uma vez que o criminoso se expõe menos. Com pandemia ou não, há muito tempo as pessoas usam o celular e a internet o tempo todo”, acredita o delegado. 

O advogado criminalista ainda explica que, apesar dos crimes virtuais crescerem na mesma proporção do aumento do uso da internet na pandemia da Covid, o conforto dos criminosos também corrobora com essa prática. “Não só pela crise sanitária, mas pela própria comodidade que o criminoso tem, pois ele sabe que a investigação contra ele vai ser difícil. A maioria dos crimes não tem a pena tão exorbitante e a facilidade de se ocultar na internet tem feito com que muitas pessoas migrem para essa atuação criminosa no meio virtual”, informou Caio Mendes.

Principais práticas

De janeiro a dezembro de 2020, o Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (Cert.br), identificou os principais tipos de ataques. O Scan, notificações de varreduras em redes de computadores, com o intuito de identificar quais computadores estão ativos e quais serviços estão sendo disponibilizados por eles, foi o principal, com 59,85% de reporte. Em texto, o Cert.br explica que esta prática é amplamente utilizada por atacantes para identificar potenciais alvos, pois permite associar possíveis vulnerabilidades aos serviços habilitados em um computador.

Em seguida, as práticas de Worm e Fraude seguem como as atividades mais realizadas em ataques cibernéticos. Com 20,15% de aparição, o Worm são notificações de atividades maliciosas relacionadas com o processo automatizado de propagação de códigos maliciosos na rede. Já a Fraude, segundo Houaiss, é qualquer ato ardiloso, enganoso, de má-fé, com intuito de lesar ou ludibriar outrem, ou de não cumprir determinado dever; logro. Esta categoria engloba as notificações de tentativas de fraudes, ou seja, de incidentes em que ocorre uma tentativa de obter vantagem, explica o Centro de Estudos.

O especialista Caio Mendes relatou que, em seu escritório, este tipo de crime se intensificou, tanto em vítimas desses golpes que procuram um auxílio jurídico, como também de pessoas que estão sendo investigadas ou acusadas de estelionato, pelo fato de ter emprestado alguma conta em seu nome para a o recebimento de valores de possíveis golpes. “Os crimes ciberneticios mais comuns são os crimes contra a honra, difamação, calúnia, injúria racial, pedofilia, divulgação de conteúdo não autorizado, pornografia infantil, estelionato por meio da aplicação de golpes dos mais diversos tipos, criação de perfis falsos”, também tipificou o advogado Caio Mendes.

O que fazer

O advogado informa que, para minimizar os riscos de ser vítima de um crime virtual, é preciso ter cuidado com as senhas, nunca compartilhar com ninguém, nem com amigos, parentes, mensagens e nem emails. Além do cuidado com cartão bancário, nunca entregue seu cartão a ninguém, os bancos nunca pedem de volta seus cartões. “Ative para tudo que for possível o fator de autenticação em duas etapas e nunca clique em links desconhecidos, sempre confira a origem das mensagens promocionais e bancárias”, ressaltou. Além disso, em caso do crime ter ocorrido, a vítima pode fazer o registro na delegacia online, caso desejado, ou procurar por uma delegacia de polícia mais próxima da área dela, lembrou o delegado. 

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