Aumento de preços e falta de insumos da construção civil ameaçam obras públicas e trazem mais consequências; veja

Segundo presidente do Sinduscon, valor dos imóveis ficarão acima da inflação. Sem perspectiva de recuo, construtores esperam estabilização de preços a partir de fevereiro de 2022

Aumento no valor de insumos subirá valor de imóveis. | Foto: Regiane Rocha

Os insumos para construir estão mais caros. Alguns estão em falta no mercado. Os motivos que justificam a realidade da economia na construção civil vão desde a pandemia, que afetou a produção mundial, até a alta procura no mercado. Ainda que a situação se normalize, as consequências devem perdurar na sociedade.

Obras públicas paradas, desequilíbrio de contratos, aumento no valor do imóvel, dificuldade para conquistar a casa própria. Estas são algumas das consequências elencadas pelo presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Goiás (SindusCon-GO). Cezar Mortari acredita que não há perspectiva de melhora a curto prazo, mas admite que há possibilidade de estabilização.

O Custo Unitário Básico (CUB) é o indicador que sugere as estimativas do presidente do SindusCon. “O CUB está em 0,55% ao mês, 19,7% ao ano. Esse aumento é basicamente devido ao aumento dos materiais. Isso é um índice geral, mas alguns materiais específicos subiram mais de 150%. O caso do aço é mais emblemático”, apontou Cezar Mortari.

Segundo o presidente, de julho de 2020 até agosto de 2021, houve aumento de até 190% no valor de alguns tipos de aço, o máximo registrado na construção civil. O material, inclusive, está em falta no mercado. “É o problema do desabastecimento. O caso do aço é gritante. A entrega chegou a atrasar quatro meses. Agora, está melhorando, mas ainda demora dois meses para entregar. Só saímos da crise aguda, mas o problema permanece”, justificou o líder do Sinduscon.

Como consequência da falta de material e do atraso nas entregas, obras serão prejudicadas. Enquanto particulares têm maior facilidade para negociarem junto a fornecedores, a tendência é que o setor público sofra maiores consequências. “Temos feito trabalho institucional no sentido de criar ferramentas junto aos órgãos públicos e aos Tribunais de Contas para que haja reequilíbrio dos contratos. Se não, vamos ter muitos problemas de obras públicas paradas por total desequilíbrio dos contratos”, estimou Cezar Mortari.

Além do Sinduscon, a iniciativa do trabalho institucional conta com apoio do Fórum Goiano de Habitação, da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Cezar Mortari informou que os setores enumeram ao menos quatro motivos para o aumento do preço dos produtos da construção civil: a pandemia, a variação cambial, o aumento internacional e o aumento da matéria-prima e dos commodities, como o minério de ferro. “No Brasil, nada não se joga fora. A sucata é toda reaproveitada no sistema. Faltou sucata no mercado. No início da pandemia, o custo dela era de R$0,20 o quilo. Hoje, está valendo R$1,00”, justificou o presidente da Sinduscon.

Apesar dos motivos serem considerados válidos, o líder do sindicato aduz que a lei da oferta e procura é empregada com maior intensidade na construção civil. Como faltam produtos e sobram compradores, as indústrias de base têm aproveitado do momento. “Setores de base do país, como metais, siderúrgicas, celuloses e derivados do petróleo, estão aproveitando da situação por serem monopólios. Tem uma série de fatores estruturais que jogam o preço para cima, mas eles aproveitaram para subir. Tinha ambiente para subir 20% ou 30%. Talvez 40%. Mas não 100%, 150% ou 190%”, criticou Cezar Mortari.

Como consequência, outros derivados e produtos da construção civil sofreram aumentos.  “Não foi só aço ou metais. Outros materiais também subiram. Por exemplo: cimento, materiais ligados ao plástico e ao papel, brita, areia, tijolo. Esses produtos subiram além da inflação”, contou o líder.

Cezar Mortari informou que o custo da construção ainda não foi repassado pelas indústrias imobiliárias, pois as vendas estão em alta. No entanto, quando isso ocorrer, a tendência é que parcela da população fique prejudicada por longo período. A estimativa é que o valor dos imóveis fique de 8% a 10% acima da inflação. “Quem vai sofrer será a baixa renda. O valor do Minha Casa, Minha Vida irá subir. Quem ganha até um salário e meio não vai conseguir ter acesso a casa própria”, estimou o presidente do sindicato.

A tendência, segundo Cezar Mortari, é de estabilização. No entanto, a perspectiva é que isso ocorra somente depois do carnaval. “Com o abastecimento normalizado, realmente podemos acreditar que os preços parem de subir, mas, se continuar o desabastecimento, não tenho dúvidas de que vai prevalecer a lei da oferta e da procura”, pontuo o presidente.

Antes disso, porém, deve haver novo aumento no início do ano. O mês de janeiro é, tradicionalmente, usado para reajustes.

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