Aumentam casos de AVC em jovens, mulheres são mais afetadas

Pesquisa revela que mulheres com 35 anos ou menos são mais propensas a ter um AVC isquêmico 

Mulheres com 35 anos ou menos são 44% mais propensas a ter um Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico, segundo pesquisa divulgada na edição especial da Go Red For Womem 2022, do jornal Médico Stroke. O AVC causado pela falta de sangue em uma determinada área do cérebro é mais frequente em mulheres do que em homens. Apesar de ser uma condição muito associada à idade, a incidência em jovens e pessoas de meia idade tem crescido nas últimas décadas. De acordo com as últimas informações disponíveis no painel de Mortalidade do DataSUS, dos anos 2000 até 2019, 174.355 pessoas até 49 anos morreram no Brasil em decorrência de doenças cerebrovasculares.

No mundo, um caso recente que ilustra tal dado foi da modelo Hailey Bieber, de 25 anos. Após apresentar sinais semelhantes aos de um derrame, a modelo foi hospitalizada em Palm Springs, na Califórnia (EUA). Hailey foi diagnosticada com um coágulo no cérebro, que causou falta de oxigênio ao órgão. O episódio aconteceu enquanto tomava café com o marido, Justin Bieber. Após poucas horas no hospital, a modelo retornou para casa com o que foi chamado de um mini-derrame. Para pesquisadores, são necessários mais estudos para definir melhor as diferenças de gênero no AVC isquêmico em adultos jovens e as contribuições para o problema.

No entanto, o cenário reforça a necessidade de alerta sobre certos hábitos que podem influenciar esse aumento da incidência dos casos, e as formas de prevenção, principalmente, entre o público que está na fase da juventude, ressalta a presidente da Rede Brasil AVC, Sheila Cristina Ouriques Martins. Mulheres, segundo ela, têm fatores de risco especiais que devem ser considerados. O uso de anticoncepcional oral, principalmente se associado ao fumo ou em mulheres com mais de 40 anos, pode aumentar o risco de AVC. Além da terapia de reposição hormonal, assim como a gravidez e puerpério. “A enxaqueca com sintomas visuais, que é muito comum em mulheres, também pode ser um fator de risco para o AVC”, pontua.

Casos de obesidade, diabetes e hipertensão na camada jovem também estão relacionados aos acidentes vasculares cerebrais. Fatores como tabagismo, uso excessivo de álcool e colesterol elevado são questões que podem somar a origem do AVC. Outro ponto de atenção é o estresse. Pesquisa divulgada na revista médica The Lancet, no ano passado, mostrou que pessoas que trabalhavam mais de 55 horas por semana tinham uma chance 33% maior de ter AVC do que as que trabalhavam entre 35 a 40 horas semanais.

Atualmente, sabe-se que existem dois tipos de AVC. O primeiro, e o que acometeu a modelo Haily Bieber, é o isquêmico. Neste acidente vascular, ocorre uma falta de sangue em alguma área do cérebro – sendo o mais comum e correspondendo entre 80% e 85% dos casos. Já o segundo é o AVC do tipo hemorrágico, quando um vaso, do tipo artéria – raramente uma veia – rompe. Foi esse tipo o que vitimou o ex-governador, ex-senador e ex-prefeito de Goiânia Iris Rezende Machado em novembro do ano passado. Os sinais de alerta mais comuns, nesse caso, são fraqueza ou formigamento na face, no braço ou na perna, especialmente em um lado do corpo; confusão mental, alteração da fala ou compreensão; alteração na visão, no equilíbrio, na coordenação, no andar, tontura e dor de cabeça súbita, intensa, sem causa aparente. 

A especialista ainda alerta que para cada minuto que o AVC isquêmico não é tratado, a pessoa perde 1,9 milhão de neurônios.  “Por isso, identificar rapidamente os sinais e o socorro ágil evita o comprometimento mais grave que pode deixar sequelas permanentes, como redução de movimentos, perda de memória, prejuízo à fala e diminui drasticamente o risco de morte”, salienta Sheila.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.