Atos contra PEC da Blindagem e PL da Anistia acontecem neste domingo, 21, em todo o Brasil
21 setembro 2025 às 11h54

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Neste domingo, 21, partidos e movimentos de esquerda realizam 45 manifestações em todas as regiões do país contra o PL da Anistia e a PEC da Blindagem. Os atos ocorrem simultaneamente em 26 estados e no Distrito Federal, alcançando pelo menos 30 cidades e 22 capitais.
Com lemas como “Congresso inimigo do povo” e “PEC da Bandidagem”, os manifestantes criticam o projeto que dificulta a abertura de processos criminais contra parlamentares e denunciam a tentativa de anistiar condenados por tentativa de golpe de Estado, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, sentenciado a 27 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A onda de protestos foi articulada por centrais sindicais, movimentos populares, organizações da sociedade civil e pela Frente Povo Sem Medo, responsável por articular a campanha nacional contra a PEC da Blindagem.
O texto, aprovado na última terça-feira, 16, em regime de urgência na Câmara, prevê que qualquer investigação criminal contra parlamentares só pode avançar com autorização da maioria absoluta do Congresso. Para os opositores, a medida cria blindagem política e representa “impunidade absoluta”.
Além disso, os atos repudiam o PL da Anistia, que abre caminho para perdoar envolvidos na tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023. Militantes e lideranças políticas afirmam que as propostas caminham em paralelo com apoio de partidos do centrão, como resposta à atuação firme do STF sobre emendas parlamentares e processos envolvendo Bolsonaro e seus aliados.
Apoio de artistas potencializou mobilização
O movimento ganhou ainda mais força após artistas de renome nacional convocarem o público pelas redes sociais. Caetano Veloso, Anitta, Paulinho da Viola e Djonga se uniram a outros nomes como Chico Buarque, Gilberto Gil, Djavan, Maria Gadú e Marina Sena, que confirmaram presença em atos nas capitais.
Em vídeo, Caetano conclamou a sociedade a reagir: “A gente tem que ir pra rua, pra frente do Congresso, como já fomos outras vezes. Voltar a dizer que não admitimos isso, como povo, como nação”.
No Rio de Janeiro, o protesto em Copacabana terá trio elétrico com apresentações conjuntas de Caetano, Gil e Chico Buarque, enquanto em São Paulo a concentração no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) contará com mobilização cultural. Em Belo Horizonte, a cantora Fernanda Takai participa da manifestação na Praça Raul Soares. Já em Brasília, o cantor Chico César está confirmado para o ato diante do Museu Nacional.
Concentrações pela manhã e à tarde
A programação se distribui ao longo do dia. Pela manhã, os protestos começaram em capitais como Brasília, Salvador, Belo Horizonte, Belém, João Pessoa, Maceió, Manaus, São Luís e Natal. Já no período da tarde, a movimentação se intensifica em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife, Goiânia e Curitiba, entre outras cidades.
Segundo os organizadores, a expectativa é de grandes concentrações nas avenidas centrais e praças públicas, com forte presença de jovens, sindicatos e movimentos estudantis.
Lista de locais e horários das manifestações
Capitais
- São Paulo (SP) – Av. Paulista (MASP), 14h
- Rio de Janeiro (RJ) – Copacabana (Posto 5), 14h
- Belo Horizonte (MG) – Praça Raul Soares, 9h
- Porto Alegre (RS) – Arcos da Redenção, 14h
- Salvador (BA) – Morro do Cristo, 9h
- Recife (PE) – Rua da Aurora, 14h
- Fortaleza (CE) – Estátua de Iracema Guardiã, 15h30
- Cuiabá (MT) – Praça Alencastro, 14h
- Brasília (DF) – Museu da República, 9h
- Goiânia (GO) – Praça Universitária, 16h
- Curitiba (PR) – Boca Maldita, 14h
- Belém (PA) – Praça da República, 9h
- Rio Branco (AC) – Lago do Amor, 16h30
- São Luís (MA) – Praça da Igreja do Carmo, 9h
- Teresina (PI) – Praça Pedro II, 9h
- Boa Vista (RR) – Praça das Águas, 18h
- Porto Velho (RO) – Complexo Madeira Mamoré, 16h
- Aracaju (SE) – Praia da Cinelândia, 16h
- Campo Grande (MS) – 14 de Julho com Afonso Pena, 8h
- Palmas (TO) – Feira do Bosque, 16h
- Vitória (ES) – Assembleia Legislativa, 15h
- Maceió (AL) – Sete Coqueiros, 9h
- João Pessoa (PB) – Busto do Tamandaré, 8h
- Florianópolis (SC) – Ponte Hercílio Luz, 13h
- Macapá (AP) – Teatro das Bacabeiras, 14h
- Manaus (AM) – Av. Getúlio Vargas, 8h
- Natal (RN) – Avenida Roberto Freire, 9h
Outras cidades
- Bauru (SP) – Vitória Régia, 16h
- Ribeirão Preto (SP) – Praça Spadoni, 15h30
- Santos (SP) – Estação da Cidadania, 16h
- Alfenas (MG) – Praça do Coliseu, 10h
- Ituiutaba (MG) – Feira da Junqueira, 9h
- Juiz de Fora (MG) – Praça da Estação, 10h
- Montes Claros (MG) – Parque Municipal Milton Prates, 9h
- Pirapora (MG) – Rotatória Av. Pio XII, 8h30
- Serra do Cipó (MG) – Praça Santana do Riacho, 10h
- Uberaba (MG) – Feira da Abadia, 10h30
- Uberlândia (MG) – Feira Livre do Bairro Luizote, 9h
- Londrina (PR) – Zerão, 15h
- Itajaí (SC) – Praça do Centro de Eventos, 14h
- Jaraguá do Sul (SC) – Praça da Meia Luz, 14h
- Joinville (SC) – Praça da Bandeira, 14h
- Corumbá (MS) – 13 de Junho com Frei Mariano, 15h
- Dourados (MS) – Feira Central, 9h
- Sobral (CE) – Arco de Nossa Senhora, 17h
Trâmite legislativo e resistências no Senado
A PEC da Blindagem, que já passou em dois turnos na Câmara, foi enviada ao Senado na última quarta-feira, 17. O relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Alessandro Vieira (MDB-SE), anunciou que recomendará a rejeição.
Para ele, a proposta traz “enormes prejuízos para os brasileiros”. O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), reforçou que a medida representa um retrocesso para a democracia e declarou: “Manifestei meu posicionamento contrário e acredito que não encontrará aprovação na CCJ”.
A liderança do MDB também se posicionou oficialmente, classificando a proposta como “impunidade absoluta” e afirmando que mina o princípio da igualdade perante a lei.
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