Neste domingo, 21, partidos e movimentos de esquerda realizam 45 manifestações em todas as regiões do país contra o PL da Anistia e a PEC da Blindagem. Os atos ocorrem simultaneamente em 26 estados e no Distrito Federal, alcançando pelo menos 30 cidades e 22 capitais.

Com lemas como “Congresso inimigo do povo” e “PEC da Bandidagem”, os manifestantes criticam o projeto que dificulta a abertura de processos criminais contra parlamentares e denunciam a tentativa de anistiar condenados por tentativa de golpe de Estado, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, sentenciado a 27 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A onda de protestos foi articulada por centrais sindicais, movimentos populares, organizações da sociedade civil e pela Frente Povo Sem Medo, responsável por articular a campanha nacional contra a PEC da Blindagem.

O texto, aprovado na última terça-feira, 16, em regime de urgência na Câmara, prevê que qualquer investigação criminal contra parlamentares só pode avançar com autorização da maioria absoluta do Congresso. Para os opositores, a medida cria blindagem política e representa “impunidade absoluta”.

Além disso, os atos repudiam o PL da Anistia, que abre caminho para perdoar envolvidos na tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023. Militantes e lideranças políticas afirmam que as propostas caminham em paralelo com apoio de partidos do centrão, como resposta à atuação firme do STF sobre emendas parlamentares e processos envolvendo Bolsonaro e seus aliados.

Apoio de artistas potencializou mobilização

O movimento ganhou ainda mais força após artistas de renome nacional convocarem o público pelas redes sociais. Caetano Veloso, Anitta, Paulinho da Viola e Djonga se uniram a outros nomes como Chico Buarque, Gilberto Gil, Djavan, Maria Gadú e Marina Sena, que confirmaram presença em atos nas capitais.

Em vídeo, Caetano conclamou a sociedade a reagir: “A gente tem que ir pra rua, pra frente do Congresso, como já fomos outras vezes. Voltar a dizer que não admitimos isso, como povo, como nação”.

No Rio de Janeiro, o protesto em Copacabana terá trio elétrico com apresentações conjuntas de Caetano, Gil e Chico Buarque, enquanto em São Paulo a concentração no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) contará com mobilização cultural. Em Belo Horizonte, a cantora Fernanda Takai participa da manifestação na Praça Raul Soares. Já em Brasília, o cantor Chico César está confirmado para o ato diante do Museu Nacional.

Concentrações pela manhã e à tarde

A programação se distribui ao longo do dia. Pela manhã, os protestos começaram em capitais como Brasília, Salvador, Belo Horizonte, Belém, João Pessoa, Maceió, Manaus, São Luís e Natal. Já no período da tarde, a movimentação se intensifica em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife, Goiânia e Curitiba, entre outras cidades.

Segundo os organizadores, a expectativa é de grandes concentrações nas avenidas centrais e praças públicas, com forte presença de jovens, sindicatos e movimentos estudantis.

Lista de locais e horários das manifestações

Capitais

  • São Paulo (SP) – Av. Paulista (MASP), 14h
  • Rio de Janeiro (RJ) – Copacabana (Posto 5), 14h
  • Belo Horizonte (MG) – Praça Raul Soares, 9h
  • Porto Alegre (RS) – Arcos da Redenção, 14h
  • Salvador (BA) – Morro do Cristo, 9h
  • Recife (PE) – Rua da Aurora, 14h
  • Fortaleza (CE) – Estátua de Iracema Guardiã, 15h30
  • Cuiabá (MT) – Praça Alencastro, 14h
  • Brasília (DF) – Museu da República, 9h
  • Goiânia (GO) – Praça Universitária, 16h
  • Curitiba (PR) – Boca Maldita, 14h
  • Belém (PA) – Praça da República, 9h
  • Rio Branco (AC) – Lago do Amor, 16h30
  • São Luís (MA) – Praça da Igreja do Carmo, 9h
  • Teresina (PI) – Praça Pedro II, 9h
  • Boa Vista (RR) – Praça das Águas, 18h
  • Porto Velho (RO) – Complexo Madeira Mamoré, 16h
  • Aracaju (SE) – Praia da Cinelândia, 16h
  • Campo Grande (MS) – 14 de Julho com Afonso Pena, 8h
  • Palmas (TO) – Feira do Bosque, 16h
  • Vitória (ES) – Assembleia Legislativa, 15h
  • Maceió (AL) – Sete Coqueiros, 9h
  • João Pessoa (PB) – Busto do Tamandaré, 8h
  • Florianópolis (SC) – Ponte Hercílio Luz, 13h
  • Macapá (AP) – Teatro das Bacabeiras, 14h
  • Manaus (AM) – Av. Getúlio Vargas, 8h
  • Natal (RN) – Avenida Roberto Freire, 9h

Outras cidades

  • Bauru (SP) – Vitória Régia, 16h
  • Ribeirão Preto (SP) – Praça Spadoni, 15h30
  • Santos (SP) – Estação da Cidadania, 16h
  • Alfenas (MG) – Praça do Coliseu, 10h
  • Ituiutaba (MG) – Feira da Junqueira, 9h
  • Juiz de Fora (MG) – Praça da Estação, 10h
  • Montes Claros (MG) – Parque Municipal Milton Prates, 9h
  • Pirapora (MG) – Rotatória Av. Pio XII, 8h30
  • Serra do Cipó (MG) – Praça Santana do Riacho, 10h
  • Uberaba (MG) – Feira da Abadia, 10h30
  • Uberlândia (MG) – Feira Livre do Bairro Luizote, 9h
  • Londrina (PR) – Zerão, 15h
  • Itajaí (SC) – Praça do Centro de Eventos, 14h
  • Jaraguá do Sul (SC) – Praça da Meia Luz, 14h
  • Joinville (SC) – Praça da Bandeira, 14h
  • Corumbá (MS) – 13 de Junho com Frei Mariano, 15h
  • Dourados (MS) – Feira Central, 9h
  • Sobral (CE) – Arco de Nossa Senhora, 17h

Trâmite legislativo e resistências no Senado

A PEC da Blindagem, que já passou em dois turnos na Câmara, foi enviada ao Senado na última quarta-feira, 17. O relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Alessandro Vieira (MDB-SE), anunciou que recomendará a rejeição.

Para ele, a proposta traz “enormes prejuízos para os brasileiros”. O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), reforçou que a medida representa um retrocesso para a democracia e declarou: “Manifestei meu posicionamento contrário e acredito que não encontrará aprovação na CCJ”.

A liderança do MDB também se posicionou oficialmente, classificando a proposta como “impunidade absoluta” e afirmando que mina o princípio da igualdade perante a lei.

Leia também:

Acidente na BR-153 em Campinorte deixa 8 mortos; seis eram da mesma família

Entenda a origem do Pit Dog, patrimônio cultural de Goiás