Atletas paraolímpicos fazem do futebol goiano destaque nacional

Time da Adfego/Aparecidense é base de atletas para seleção brasileira de futebol de amputados 

Cilas Gontijo

A Associação dos Deficientes Físicos do Estado de Goiás – Adfego, fundada em  1981, como sociedade civil de duração indeterminada e sem fins econômicos. Tem como objetivo reunir pessoas com deficiência física sob a égide da Associação, atuando na implementação de medidas que visem obter melhoria na condição de existência.

Atuando na assistência e reabilitação, amparo, capacitação profissional e aproveitamento da mão de obra da pessoa com deficiência física, afim de  promover sua  plena integração e inclusão na sociedade.

Dentre  as funções da Associação, está a de contribuir para que as pessoas com deficiência física supere seus limites, promovendo e incentivando a prática de atividades esportivas.

Falando em esportes, a Adfego, se destaca em várias modalidades esportivas, chegando a participar de paraolimpíadas e tendo vários atletas medalhistas.

Johnathan Leal, coordenador de esportes da Adfego, de 24 anos e ex-atleta paralímpico de natação, portador da síndrome Charcot- Marie-Tooth – que causa distrofia muscular nas regiões periféricas do corpo, afirma que a Adfego é derivada do esporte e não o contrário.

Segundo o coordenador, o esporte, além de atuar na forma de promover a reintegração da pessoa com deficiência, ele também contribui para o alto rendimento do deficiente como atleta. A Associação conta com dez modalidades – sendo que quatro estão de nível nacional, estando sempre no top três. “ A Associação para mim, representa a liberdade”, diz johnathan.

Uma das modalidades que se destaca na Associação é o futebol de amputados. Essa adaptação do esporte nasceu na década de 80, nos Estados Unidos, permitindo que pessoas com amputação ou má-formação dos membros inferiores pudessem praticar o futebol com sucesso.

O Brasil tem se tornado uma  potência mundial nessa modalidade e o time da Adfego, sempre se tornou a base da seleção brasileira de futebol de amputados. 

Luíz Henrique, professor de Educação Física e técnico do time de amputados da Adfego, afirma que o time teve seu início no ano 2000, com apenas três atletas que iniciaram o projeto. Após dois anos, sem muito sucesso, firmaram uma parceria com o Vila Nova Futebol Clube. “Inclusive o Vila Nova foi a primeira equipe de futebol profissional do Brasil a abraçar uma equipe de futebol de amputados, numa parceria que durou por uns dez anos”, declara o treinador.

O primeiro título que veio através dessa parceria foi em 2008, que até 2014, foram os anos de glórias da equipe, com o tetra da Copa do Brasil e o penta do Brasileiro. “O time era tão bom e tão bem entrosado que, mesmo ficando uns três anos sem técnico, se manteve entre os três melhore do Brasil”, lembra.

Assim como o futebol profissional convencional, o de amputados conta também com as séries A e B, das principais competições, sendo que a Adfego sempre fez parte da primeira divisão, ou seja, da elite.

Luís Henrique fala que, mesmo os jogadores tendo suas limitações físicas, existe força de vontade muito grande em cada atleta, que levam também trabalham o dia todo e ainda tem disposição para os treinos.

Na atualidade o time mais forte é o do Corinthians, que a exemplo da  Adfego/Vila Nova, também entrou em algumas parcerias com associações de deficientes e montaram uma equipe muito forte e mesmo a equipe goiana chegou em cinco finais de campeonatos contra o time paulista,  ficando com o vice.

Hoje a equipe já não tem mais a participação do Vila Nova, porém, existe uma cooperação da Aparecidense, que tem dado muito certo e agora se chama: Adfego/Aparecidense. Segundo a organização, essa parceria é no sentido da logística das competições e não financeira, como pagamentos de atletas, por exemplo. “Eles jogam porque amam o que fazem e normalmente arcam com as despesas para irem treinar, o que é bem diferente do Corinthians que ajudam financeiramente seus atletas”, assegura.

Até o ano de 2010 , a Adfego era a base da seleção brasileira com média de quatro a oito atletas convocados, entre o total de 15. Agora, com a chegada dos times paulistas fazendo parcerias  com várias associações e conseguindo pagar atletas que passaram a se dedicar exclusivamente, ficou uma disputa acirrada entre os atletas. Os goianos que não tem essa ajuda financeira ficaram prejudicados, mesmo assim, no mínimo dois atletas sempre aparecem nas convocações.

Marcelo Alves 47 anos, com amputação coxo-femoral,  é zagueiro e há 21 anos joga pela Adfego. Ele é um dos pioneiros da equipe, que junto de mais dois atletas deram o pontapé inicial desse projeto. “Tenho muito orgulho de jogar futebol, é minha paixão”, diz. Marcelo afirma que sua maior  emoção foi em 2013, quando foi convocado para jogar pela seleção brasileira, estava em disputa a  Copa América, sagrando-se campeão  em cima da maior rival –  a Argentina. Para o atleta, Goiás precisa investir mais nessa modalidade esportiva, não apenas financeiro, mas também trazendo competições nacionais para o estado de Goiás.

No entanto, como o futebol no geral ficou prejudicado por causa da pandemia com relação a calendários, para o futebol de amputados não foi diferente. Somente este ano que serão retomados os campeonatos. Em junho/julho de 2022, acontecerá um torneio em três regionais e Goiânia sediará uma regional, que será classificatório para a Copa do Brasil. E no final do ano com previsão para novembro,  ocorrerá o campeonato brasileiro séries A e B.

Cilas Gontijo é estudante de Jornalismo na Faculdade Araguaia.

Uma resposta para “Atletas paraolímpicos fazem do futebol goiano destaque nacional”

  1. Avatar Keiliene da Silva Gontijo Oliveira disse:

    Parabéns Cilas Gontijo linda matéria

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.