Ativo de Goiás está entre os cinco vendidos pela Energisa à Taesa em operação de R$ 2,3 bilhões
21 maio 2026 às 18h46

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A venda de parte dos ativos de transmissão da Energisa para a Taesa por R$ 2,3 bilhões deve provocar reflexos diretos no setor elétrico goiano, especialmente na região Sudoeste do Estado, onde está localizado um dos empreendimentos negociados pela companhia: a Energisa Goiás Transmissora de Energia I (EGO).
O ativo goiano integra o pacote de cinco transmissoras operacionais negociadas entre as empresas, juntamente com estruturas localizadas no Tocantins e no Pará. A operação foi anunciada nesta quinta-feira, 21, e ainda depende de aprovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Em Goiás, o empreendimento vendido corresponde ao lote de transmissão entre Rio Verde Norte e Jataí, considerado estratégico para o abastecimento energético do agronegócio e da expansão industrial da região Sudoeste. A linha entrou em operação em março de 2020, com 17 meses de antecedência em relação ao cronograma estabelecido pela Aneel, após receber investimentos de aproximadamente R$ 231 milhões.
A obra fez parte do ciclo de expansão da Energisa no segmento de transmissão iniciado a partir de 2017, período em que o grupo intensificou sua atuação além da distribuição de energia. O projeto goiano foi visto, à época, como um dos principais corredores de reforço energético para uma das regiões com maior crescimento econômico do Estado, marcada pela concentração de agroindústrias, armazenagem de grãos e expansão da demanda elétrica.
A negociação ocorre em meio ao avanço da estratégia de reciclagem de capital adotada por grandes companhias do setor elétrico brasileiro. Na prática, empresas vendem ativos já maduros e estabilizados para levantar recursos, reduzir endividamento e financiar novos ciclos de expansão.
Segundo o CFO do Grupo Energisa, Maurício Botelho, a operação permite transformar em liquidez empreendimentos considerados consolidados e com geração previsível de receita. “A operação permite cristalizar o valor intrínseco dos ativos de transmissão — maduros, bem construídos, estáveis e oriundos de um ciclo de investimentos bem-sucedido”, afirmou.
De acordo com a companhia, a venda deve contribuir diretamente para a redução da alavancagem financeira do grupo. A expectativa da empresa é diminuir o indicador de dívida líquida sobre Ebitda de 3,5 vezes para 3,2 vezes, movimento considerado relevante pelo mercado financeiro em um cenário de juros elevados e aumento da necessidade de investimentos em infraestrutura energética.
Além do negócio envolvendo os ativos de transmissão, a Energisa também já havia anunciado a venda de ações preferenciais da subsidiária Denerge, em operação estimada em R$ 1,4 bilhão. Somadas, as duas movimentações reforçam a estratégia financeira da companhia para ampliar capacidade de investimento nos próximos anos.
O empreendimento goiano vendido à Taesa possui relevância não apenas regional, mas também estratégica dentro do Sistema Interligado Nacional (SIN). A estrutura atende uma região considerada uma das principais fronteiras do agronegócio brasileiro, com forte crescimento da demanda energética impulsionada por frigoríficos, usinas, armazenadoras e indústrias ligadas à cadeia agrícola.
Nos bastidores do setor, a operação é interpretada como mais um indicativo do fortalecimento do mercado de transmissão de energia no Centro-Oeste. Goiás tem se tornado um dos principais polos de expansão da infraestrutura energética devido ao crescimento econômico acima da média nacional e ao aumento do consumo industrial e agropecuário.
A aquisição também amplia significativamente a presença da Taesa no segmento. Com a compra dos cinco ativos da Energisa, a companhia passa a incorporar aproximadamente 1.305 quilômetros de linhas de transmissão, 12 subestações e cerca de 4.494 MVA de capacidade de transformação. O prazo médio remanescente das concessões é de aproximadamente 22 anos.
Segundo informações divulgadas ao mercado, os ativos adicionam cerca de R$ 291 milhões em Receita Anual Permitida (RAP) referente ao ciclo 2025-2026. A RAP funciona como a principal fonte de remuneração das transmissoras e garante previsibilidade de receita independentemente do volume de energia transportado, característica que torna o segmento um dos mais atrativos para investidores.
Com a aquisição, a Taesa também ampliará em aproximadamente 33% sua capacidade de transformação, alcançando cerca de 18 mil MVA após a conclusão da operação.
Mesmo com a venda do ativo goiano, a Energisa informou que continuará atuando no segmento de transmissão. A companhia mantém outros empreendimentos operacionais e projetos em construção em diferentes regiões do país, incluindo estruturas previstas para entrar em operação entre 2027 e 2030.
O movimento ocorre em um momento de forte transformação do setor elétrico brasileiro, marcado pela expansão da demanda energética, crescimento das fontes renováveis e necessidade de modernização da infraestrutura de transmissão para suportar o avanço econômico de regiões como Goiás e Centro-Oeste.



