Lojistas que estão com atividades suspensas questionam invasão de camelôs que causam aglomerações

Rua da Região da 44 com comércios fechados | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção
Rua da Região da 44 com comércios fechados | Foto: Fernando Leite

Em três meses de lojas fechadas, a Associação Empresarial da Região 44 (AER44) estima que 20 mil postos de trabalho já tenham se perdido. Lojistas que estão com atividades suspensas questionam invasão de camelôs que causam aglomerações e, segundo eles, não são alvo de fiscalização da prefeitura

“Quando saiu a notícia de que tinha uma data para a reabertura, depois de mais de 70 dias, a gente se planejou, convocamos de volta colaboradores que estavam afastados, compramos matéria-prima para voltar a produzir. Agora não sabemos o que fazer”, diz a empresária Larissa Moura, que é confeccionista e lojista na Região da 44 e teve seus planos de volta, mesmo que gradual, frustrados após a prefeitura de Goiânia voltar atrás na decisão de flexibilizar e reabrir gradualmente o comércio na capital.

Larissa conta que muito provavelmente irá dispensar as mais de 30 pessoas que emprega na fábrica de roupas femininas que mantém em Goiânia. “Fizemos aquele acordo para suspensão do contrato por três meses, mas agora irá vencer, e pela lei não podemos mandar essas pessoas embora, pois elas têm direito a no mínimo três meses de estabilidade. Só que sem vender nada não tem como manter os empregos”, lamenta a empresária.

Larrisa lembra ainda que a situação das milhares de micro e pequenas empresas da 44 irão se agravar ainda mais, porque a prorrogação dos impostos solicitada no início da pandemia, também já irá vencer. “Mês que vem já temos impostos, como IPTU, que teremos que começar a pagar. Vamos ter que encontrar algum jeito de negociar”, diz a empresária.

De acordo com o presidente da Associação Empresarial da Região da 44 (AER44), Jairo Gomes, a situação vivida por Larissa é predominante para mais de 90% dos lojistas e confeccionistas que atuam na Região da 44, considerado o segundo maior pólo de confecção e moda. “É lamentável e leviana esta atitude, especialmente da secretária de saúde de Goiânia, Fátima Mrué, que depois do acordo com os setores do comércio para uma retomada gradual, segura, respeitando-se todas as normas de saúde, voltou atrás”, questiona Jairo.

Ele diz que segue buscando uma audiência com o Comitê de Crise de Goiânia, para demonstrar que a Região tem plenas condições de voltar com toda a segurança. O líder empresarial destaca que os empresários da 44 foram os primeiros a apresentarem sugestões de medidas, todas elas preconizadas pelo Ministério da Saúde e a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Invasão dos camelôs

A mudança de posicionamento da prefeitura em relação a reabertura da Região da 44, também frustrou os planos da empresária Vanessa Márcia de Assis, que além de lojista é proprietária de uma confecção na cidade Itapuranga, onde emprega cerca de 50 pessoas, trabalhadores estes que ela afirma que terá que dispensar no mês que vem, caso o polo de confecção em Goiânia não volte.

Vanessa afirma que o tem salvado o seu negócio são as vendas feitas via whatsapp e no Instagram, mas segundo ela não passam de 30% do faturamento que teria se sua loja na 44 estivesse funcionando normalmente. “A nossa sorte é que já temos um tempo de mercado e por isso temos um bom número de clientes fixos. Mas mais de 90% dos lojistas da 44 não estão conseguindo vender bem pela internet, a grande maioria não tem essa condição. Então já tem muita gente que já fechou suas portas e não tem condições de voltar mais”, lamenta a empresária que tem que manter sua loja fechada, mas vê todos os dias registros de ambulantes invadindo a região, sem tomar nenhum tipo de cuidado.

“É um absurdo! A loja que tem condições de fazer uma volta segura, pois você tem uma estrutura, tem como usar o álcool gel, limitar o número de clientes, regular o horário de funcionamento, e que é muito mais fácil de se fiscalizar não pode abrir. Mas os camelôs continuam nas ruas da 44, causando aglomeração e atuando sem qualquer cuidado e sem qualquer fiscalização”, questiona a empresária.

O que diz a Prefeitura

A Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação (Seplanh), por meio de nota, informou que as ações de fiscalização do comércio irregular na capital – camelôs – continuam sendo realizada em conjunto com as ações fiscais de combate a pandemia do novo coronavírus em Goiânia.

No que diz respeito a região central e da 44, no Setor Norte Ferroviário, de acordo com a Seplanh, equipes formadas por auditores fiscais e guardas civis metropolitanos realizam patrulhamento diário para combater esse tipo de atividade tendo, inclusive, realizado apreensões de produtos e autuações vendedores irregulares.

Na última sextaa-feira, 5, em entrevista coletiva o secretário municipal de governo, Paulo Ortegal, e a secretária municipal de Saúde, Fátima Mrue, descartaram a possibilidade de reabertura do comércio e afirmaram que o Paço estuda a possibilidade de antecipar feriados em Goiânia com o objetivo de aumentar a taxa de isolamento.

Atualmente, o isolamento na capital está em 38%. Para que se torne eficiente para frear os avanços da pandemia, é necessário que ele chegue a, pelo menos, 50%.

“A medida é formalizar a antecipação de feriados, como foi feito em outras grandes capitais. Pode-se dizer que foi a medida mais efetiva tomada em São Paulo e Salvador”, afirmou a gestora da pasta. “Essa medida está sendo discutida nas duas próximas semanas.”

 “O que vivenciamos hoje é uma taxa de 93% de internação em enfermaria, 58% de taxa de ocupação de leitos de UTI que são reflexos de medidas e do comportamento de duas semanas atrás”, disse a secretária de Saúde do município.

“Hoje, o anúncio principal é dizer que estamos em um ponto crítico. Um divisor de águas. As duas próximas semanas são decisivas para como vai se finalizar essa epidemia”, destacou.