Segundo tipo de tumor mais comum na população masculina, o câncer de próstata acomete anualmente milhares de homens no Brasil. Responsável ainda pela segunda maior causa de morte de câncer específico, perdendo apenas para câncer de pulmão, a doença é assintomática na fase inicial.

As informações são do urologista Leandro Ferro, que falou ao Jornal Opção sobre esse câncer. Nesse sentido, o especialista reforçou a importância dos exames de rotina para detecção do câncer de próstata.

“Essa é a questão. O câncer de próstata, na fase inicial, não tem sintoma. Esse é o melhor momento pra sua detecção, nos exames de rotina, porque provavelmente a doença está na fase inicial, e o paciente vai ter a melhor chance de cura na sua fase mais avançada”, afirma.

No entanto, caso o homem esteja com a doença em uma fase mais avançada, alguns sintomas podem surgir, conforme citou Leandro Ferro: “Alterações urinárias, com jato fino, curto ou fraco, sangramento na urina. Em pacientes com doença mais sistêmica, pensando em metástase, dor óssea, sinais de fraqueza, fraturas patológicas, que às vezes aparecem sem maior justificativas.”

É importante, na verdade, ter um acompanhamento médico, já que, segundo Leandro Ferro, também existem outros sintomas que não necessariamente o paciente terá câncer de próstata.

“Tem outras doenças, como a hiperplasia benigna, as inflamações da próstata, chamadas de prostatites, que também causam os sintomas semelhantes”, explicou.

O especialista ainda destacou a importância de campanhas como a do Novembro Azul, que exatamente servem para conscientizar a população sobre os exames de rotina para diagnóstico precoce.

“É uma doença que tem uma incidência muito alta na população masculina, em especial acima dos 50 anos de idade. Quando não tratada de forma adequada, tem uma mortalidade também muito expressiva. De forma geral, se a gente pensar em porcentagem, a gente sabe o câncer de próstata é responsável por 27% a 29% dos tumores na população masculina. mais ou menos da mesma forma, comete esse indivíduo acima de 50 anos de idade”, disse.

“Então, a ideia das campanhas como o Novembro Azul é conscientizar a população masculina de que o câncer de próstata é uma doença que tem um número importante de homens acometidos e que quanto mais cedo for feito o diagnóstico, melhor são as chances de tratamento de cura”, argumentou o médico.

Exames

Para a detecção do câncer de próstata, existem dois exames que são complementares, segundo Leandro Ferro. Há o exame de toque e também um exame de sangue.

Apesar disso, ou por desinformação, ou por preconceito, é comum as pessoas reproduzirem que apenas o exame de sangue é suficiente. No entanto, o especialista alerta para o perigo.

“Existe esse conceito de que, se eu fizer o exame de sangue, está tudo ok. Não necessariamente. É preciso fazer o exame de toque, que deve ser encarado como um outro exame físico, assim como ir ao cardiologista para aferir a pressão. No exame de toque, a gente consegue averiguar a saúde da próstata, ter uma noção de tamanho, consistência, alguma zona mais dura que possa nos sugerir algum processo tumoral”, explica.

Não menos importante, mas complementar, o exame de sangue, chamado de PSA, também deve ser realizado. Leandro Ferro explica que o exame guia para fazer avaliação de risco dos pacientes que possam ter câncer de próstata.

“A gente sabe que não é 100% apurado, ou seja, nem toda elevação de PSA é necessariamente próstata. Existem alguns tumores que aparecem mesmo sem elevação de PSA, então a ideia de se utilizar as duas ferramentas, um complementando o outro, é utilizar informações do exame de toque junto com as informações do exame de laboratório, e a gente fazer uma avaliação de risco para cada um desses indivíduos”, ressaltou.

Cura

Atualmente, o urologista explica que existem vários tipos de tratamentos para os pacientes diagnosticados com câncer de próstata.

“Tudo vai passar pelo momento de diagnóstico. Esse paciente tem uma doença localizada? Ou seja, somente na próstata? Se esse indivíduo tem uma doença chamada localmente avançada, quer dizer, a doença já extravasou as paredes da próstata? E no cenário obviamente mais avançado uma metástase. Então, para cada uma dessas situações a gente tem opções de tratamento”, explica.

Em caso de tratamento cirúrgico, Leandro Ferro cita as opções disponíveis: “Tem a cirurgia tradicional aberta, por vídeo e hoje a gente tem a possibilidade da cirurgia robótica. Pacientes muito selecionados, obviamente sempre com uma boa avaliação médica e discussão de risco-benefício, às vezes são passíveis até de acompanhamento, desde que seja seguro”, afirmou.

“Pacientes com doença metastática, hoje se discute o real papel da cirurgia e da radioterapia, que no passado, se dizia que não poderia usar, mas hoje a gente já sabe que existe a possibilidade de ainda utilizarmos de uma forma complementar. São pacientes que vão para tratamento eventual hormonal, em alguns casos tratamento com quimioterapia, mas hoje temos um leque de opções muito vasto”, completou.

Acompanhamento

De acordo com orientações da Sociedade Brasileira de Urologia, a recomendação de acompanhamento anual é para homens entre 50 e 80 anos de idade. Entretanto, Leandro Ferro destaca que existem outros fatores que antecipam essa avaliação médica.

“Homens que têm fator de risco, e os mais comuns são risco familiar, histórico familiar, então, homens que têm familiares de primeiro grau que tiveram câncer de próstata tem risco aumentado, e quanto maior o número de familiares em primeiro grau com câncer de próstata, esse risco também se aumenta. Homens negros, existem relatos da literatura que nos mostra um risco maior de câncer de próstata.
Então, nestes pacientes que apresentam fator de risco para o câncer de próstata, a gente recomenda os 45 anos de idade”, afirma.

Em caso de um familiar acometido por câncer de próstata precocemente, essa orientação pode ainda ser com uma idade um pouco menor. “Se por ventura existe algum familiar que apresentou câncer de próstata mais jovem, há recomendação também de uma idade talvez após 40 anos. Mas, de forma geral, de 50 a 80 anos, e homens com fator de risco, após 45 anos de idade”, finaliza.

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