Artista transforma lama em retrato de vítimas de Mariana

Em entrevista ao Jornal Opção, Marcelo Tolentino contou como as histórias que conheceu em Mariana marcaram seu trabalho

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Yago Sales

Uma das maiores tragédias ambientais da história do Brasil deixou um cenário de devastação em Mariana (MG), em 5 de novembro de 2015. Para evitar que as histórias das vítimas caiam no esquecimento, a Paramericana Escola de Arte e Design criou o projeto “A Arte Nunca Esquece”, que enviou o artista plástico Marcelo Tolentino, ex-aluno da unidade, para conhecer a região.

A lama, que se espalhou por mais de 600 km, até atingir o Espírito Santo, foi um dos maiores símbolos da destruição provocada pelo rompimento da barragem. E foi a matéria-prima escolhida para reconstruir rostos do que perderam tudo com a tragédia. Naquele dia, o rompimento da barragem do Fundão liberou 55 milhões de metros cúbicos de lama com rejeitos de mineração que submergiram parte do município de Mariana e mataram 17 pessoas.

Em um vídeo publicado no site do projeto, os bastidores do trabalho do artista Marcelo Tolentino revelam um artista sensibilizado com as vítimas que utiliza as artes plásticas para evitar que as histórias se apaguem da memória do Brasil. Em entrevista ao Jornal Opção, ele disse que “O mais legal é manter vivo a esperança de quem perdeu tudo. Eles são tratados do jeito que merecem e o trabalho não deixa que sejam esquecidos”.

Acompanhado com uma equipe de produtora de vídeos, ele caminha em meio à devastação. Móveis, automóveis, casas e árvores sob a lama. Um cenário alarmante. Em meio à ruína, porém, histórias poderiam ser resgatadas por meio daqueles que sobreviveram. “Quando fomos lá e conhecemos as pessoas ficou claro que teríamos de fazer um retrato de pessoas que sobreviveram”, contou.

Ele disse, ainda, que a pintura dos rostos é a reinterpretação de fotografias feitas pelo fotógrafo Alex Takaki. Passaram dois dias pelos vilarejos e se depararam com personagens da tragédia. Recolheram cerca de 3 quilos de lama e levaram a São Paulo, onde foi misturado água e cola branca e pintaram 6 retratos. “São retratos de vítimas que sobreviveram. E não perderam as memórias. Eles estão vivos”, disse o artista.

Agora, os rostos das vítimas, ilustrados com lama, estão expostos em painéis em Brasília, próximo ao Congresso Nacional. A ideia é sensibilizar deputados e senadores quanto à importância de responsabilizar os culpados pela tragédia.

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