Autor do aclamado “Maus” escreveu que atualmente “um Caveira Laranja assombra a América”

Art Spiegelman | Foto: Divulgação

Art Spielgman, autor da HQ sobre o holocausto, “Maus”, e premiado com o Pulitzer, acusa a Marvel de censura em um texto com referência ao presidente Donald Trump. Segundo quadrinista, a editora o censurou em um ensaio encomendado para o livro “Marvel: The Golden Age 1939-1949”, que deve sair em setembro.

Spiegelman traz no texto rejeitado a linhagem de jovens profissionais judeus, como Max Gaines (que definiu o formato comic book), Jerry Siegel e Joe Shuster (criadores do Superman), Jack Kirby (co-criador do Capitão América) e até Stan Lee, como profissionais que fortaleceram os quadrinhos nos Estados Unidos nos 1930 e 1940, e que trabalharam o tema super-herói para falar de questões políticas como a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial.

No fim do ensaio, o autor de Maus diz que “no mundo real de hoje, o Caveira Vermelha, o vilão mais maligno do Capitão América, está vivo nas telas, e um Caveira Laranja assombra a América”. Essa referência de laranja diz respeito ao tom alaranjado da pele de Donald Trump. Roy Thomas, editor-chefe da Marvel fará a nova introdução do livro.

Amigos

Ao The Guardian (que publicou o texto rejeitado), Spielman informou que o presidente da Marvel Entertainment, Isaac Perlmutter, pediu para que ele alterasse a introdução feita para o livro, pois a Marvel tentava permanecer apolítica. O autor de “Maus” afirmou que o chefão da editora “é amigo de longa data de Donald Trump, conselheiro não oficial e um membro influente do resort de luxo Mar-a-Lago, em Palm Beach (Flórida), de propriedade do republicano”.

Conforme Art, Perlmutter e sua mulher doaram US$ 360 mil, recentemente, para o comitê de arrecadação de fundos para a campanha de reeleição do presidente Trump, no ano que vem.