Após tribuna negada, vereadores saem em defesa de Alysson Lima

Deputado foi impedido de falar na Câmara ao levar o pedido de impeachment de Iris Rezende

Após tribuna negada, vereadores saem em defesa de Alysson Lima
Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

O ex-vereador e atual deputado pelo PRB, Alysson Lima, manifestou-se após ser impedido de subir na tribuna para falar do pedido de impeachment protocolado contra o prefeito de Goiânia Iris Rezende (MDB).

Alysson Lima falou ao Jornal Opção que havia articulado, antes, com o presidente da Câmara, Romário Policarpo (Pros), para que pudesse ter esse direito de fala, entretanto, isso não aconteceu. “Cercear a fala de um cidadão, podar um cidadão de poder falar na tribuna é grave, é fascismo, é ditadura”, afirmou.

“Todas as vezes que qualquer cidadão veio aqui no período em que eu era vereador, eu nunca neguei o direito de falar, independente de questão ideológica, religiosa. Aqui, nessa tribuna, eu vi pessoas ligadas ao movimento LGBT falarem, pessoas das religiões e matrizes afros, do candomblé, mesmo eu sendo evangélico. E permiti, votei para que essa pessoa pudesse falar”, complementou.

O deputado pontuou ainda: “Eu vim para apresentar uma peça jurídica, com quase 20 páginas, muito séria, contra o prefeito Iris Rezende. E eu não seria leviano em levantar acusações dessa forma, sem ter embasamento jurídico. Mas, diante disso, me envergonhei dos vereadores que me impediram. Estão mais dispostos a fazerem um jogo político junto com o prefeito do que atender realmente o cidadão. A partir do momento que um cidadão comum tem o direito de falar negado, um crime muito grave está sendo cometido”.

Vereadores

A vereadora Dra Cristina (PSDB) diz que o episódio foi uma demonstração clara de que a base do prefeito tem medo do que possa ser levantado como questionamento administrativo. “Nós temos uma ação de improbidade administrativa em curso, que foi imposta pelo Ministério Público Federal, por má gestão dos recursos públicos federais, no caso da Educação”. E questiona: “O que será que o prefeito tem a esconder? Por que a base está tentando blindar o prefeito e seus secretários? O que está por trás dessa ação de cercear a palavra do deputado Alysson?”.

“Uma atitude antidemocrática”, assim a vereadora Tatiana Lemos (PCdoB) classificou a ação dos vereadores que barraram a fala de Alysson. Tatiana falou ainda ao Jornal Opção, que mesmo que Alysson fosse um cidadão comum, e não um deputado e ex-colega da Câmara, ainda assim, ele não poderia ter seu direito de fala cerceado.

Já o vereador Lucas Kitão (PSL) avaliou a situação como um retrocesso. “A Câmara de Goiânia é uma das poucas do Brasil que tem esse instituto da Tribuna Livre, independente de ser deputado, o Alysson é um cidadão goianiense”. E argumenta: “Eu, particularmente, queria saber as justificativas do Alysson, os fundamentos da proposição de impeachment, então seria o momento para tirarmos nossas dúvidas”, concluiu.

Apenas os vereadores Lucas Kitão (PSL), Dra Cristina (PSDB), Wellington Peixoto (MDB), Tatiana Lemos (PCdoB) e Léia Klébia (PSC) votaram a favor de que o deputado usasse a tribuna, contra 17 votos de parlamentares que se posicionaram contra a fala de Alysson. Indignado, o deputado desabafou em sua conta no Instagram: “Se fazem isso comigo, imagina se um humilde cidadão terá espaço na Câmara. Saí do local me sentindo envergonhado e humilhado!”.

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