Após tomada de poder do Talibã, moradores morrem em tentativa de fuga do Afeganistão

Tropa de 6 mil soldados americanos foi autorizada pelo governo dos EUA para atuarem na crise; 3 mil já estão no local

Boeing C-17 da USAF transporta 800 pessoas do Afeganistão, com aeroporto tomado de moradores | Foto: Reprodução

Cenário tumultuado, várias pessoas que tentavam sair do Afeganistão pelo aeroporto internacional de Cabul morreram neste domingo, 15. O caos se instaurou no país a partir da tomada de poder por parte da organização islâmica sunita Talibã, com a entrada no palácio presidencial em Cabul, horas depois da fuga do presidente Ashraf Ghani para o Tajiquistão.

No aeroporto, uma multidão de pessoas invadiu a pista de decolagem e começou a se pendurar em aeronaves que estavam em movimento, na esperança de deixarem o país. Um repórter do canal de notícias afegão TOLOnews afirmou que três moradores morreram após se esconderem na roda e na asa de um avião e acabarem caindo nos telhados da cidade.

Ministro da defesa interino do Afeganistão, general Bismillah Mohammadi, criticou a fuga do presidente, em sua conta do Twitter, onde disse: “Eles amarraram nossas mãos nas costas e venderam a pátria, maldito homem rico e sua gangue”.

A ofensiva militar do Talibã se deu em meio à retirada das tropas militares ocidentais, que saíam do país após 20 anos de guerra. Além do próprio corpo diplomático que está sendo evacuado do país, diversas famílias se dirigiram ao Aeroporto Internacional Hamid Karzai, que virou a embaixada temporária dos Estados Unidos, França e Holanda no país, com a intensão de deixar o território. Isso, porque a embaixada americana foi totalmente esvaziada.

Funcionários da Otan afirmaram que todos os vôos comerciais foram suspensos, estando autorizado somente o funcionamento de aeronaves militares. No desespero para conseguir fugir, o site de notícias Al Jazeera afirmou que moradores chegaram a formar filas nos caixas eletrônicos para sacar dinheiro de suas contas.

Ainda no domingo, o secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, aprovou o envio de 5 mil soldados ao Afeganistão, número que foi reformado nesta segunda-feira, 16, com mais mil pessoas. A frota será deslocada de um grupo que deveria se dirigir ao Kuwait com a intenção de proteger o aeroporto do Cabul. Cerca de 3 mil homens já se encontram no país e os demais deverão chegar nos próximos dias.

Secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken chegou a mandar um recado aos membros do Talibã, ao ressaltarem que “Nós não pedimos nada ao Taleban. Nós dissemos ao Taleban que, se eles interferirem com nosso pessoal, com nossas operações à medida que avançamos com a evacuação, haverá uma resposta rápida e decisiva”.

Os próximos passos a serem dados ainda estão sendo debatidos, como nas discussões em andamento entre os conselheiros da Casa Branca acerca de como Joe Biden deverá lidar com o agravamento da situação. No entanto, a retomada do poder por parte do Talibã, caso seja semelhante como ocorreu nos anos 1990, pode representar grande perda de liberdades civis – especialmente às mulheres e meninas -, além de grande ameaças terroristas.

Repercussão política

Aproveitando a oportunidade para criticar o democrata que o venceu nas eleições, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Joe Biden deveria renunciar ao poder após a vitória de Talibã no Afeganistão. “É hora do desacreditado Joe Biden renunciar por permitir o que aconteceu no Afeganistão, mas também pelo aumento vertiginoso da covid, o desastre na fronteira, a supressão de nossa independência energética e a paralisia de nossa economia”, escreveu o ex-presidente republicano em comunicado

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