Após sofrer intimidações pelas redes sociais, o professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), João Cezar de Castro Rocha afirmou durante evento do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais de Goiás (Adufg), em Goiânia, que é preciso “repolitizar a pólis” para combater a extrema direita.

De acordo com o docente, a extrema direita usa o discurso de escola sem partido, por exemplo, justamente para perpetuar seu discurso e se fortalecer. Ao mesmo tempo, o professor afirma que o grupo usa a sua ideologia política de forma vedada para reproduzir e defender o posicionamento.

A analogia de João Cezar de Castro Rocha vem de seu próprio livro. Pólis, na Grécia Antiga, era uma espécie de cidade-Estado. Repolitizar a pólis, segundo o professor, é de fato retornar a política para a sociedade como forma de combater o discurso da extrema direita.

Ataques nas redes sociais

Os ataques a João Cezar de Castro Rocha vieram depois que o docente defendeu publicamente uma professora que foi demitida em Goiás. Ela, que leciona sobre história da arte, usava uma camisa com a frase “seja marginal, seja herói”, que faz alusão a uma obra de Hélio Oiticica do século XX.

O docente da UERJ revelou que recebeu desde xingamentos a ameaças de morte, incluindo de familiares. Algumas das mensagens estão publicadas no perfil dele no Twitter. Ele ainda escreveu que registrou e denunciou as ameaças.

De acordo com João Cezar de Castro Rocha, em 48 horas, uma centena de mensagens intimidatórias chegarem em suas redes sociais enviadas por pessoas de extrema direita. O docente afirmou serem seguidores do deputado federal Gustavo Gayer (PL), que repercutiu o caso da professora a criticando.

João Cezar de Castro Rocha chegou a citar o parlamentar durante o evento da Adufg, dizendo que é “necessário denunciar todos os dias” Gustavo Gayer. Nesta semana, deputados do Partido dos Trabalhadores (PT) o denunciaram justamente após ataques nas redes contra a professora.

A denúncia foi protocolada no Ministério Público de Goiás (MPGO) e Federal, além do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. O documento é assinado pelos deputados Mauro Rubem, Bia de Lima e Antônio Gomide e o suplente ao cargo, Fabrício Rosa.

Relembre o caso da professora

O Colégio Expressão demitiu uma professora de história da arte após repercussão de uma postagem dela nas redes sociais. A docente foi dispensada por telefone na quinta-feira, 4. O motivo: a divulgação de imagem de uma camiseta na cor vermelha com a mensagem “Seja Marginal, Seja Herói”. Essa expressão é atribuída à obra do artista neoconcretista Hélio Oiticica (1937-1980).

O post viralizou entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), após um político  compartilhar e fazer acusações. O que motivou um grupo a “invadir” as redes sociais da instituição de ensino cobrando providências. Para tanto, ofenderam e atacaram a profissional.