Após ser desafiada, secretária de Saúde se recusa a visitar Cais com vereadores

Clécio Alves (MDB) disse que renunciaria a seu mandato caso visitassem qualquer unidade de saúde que estivesse funcionando corretamente

Fotos Wictória Jhefany / Câmara Municipal

Em mais um depoimento à Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Saúde nesta sexta-feira (9/3), a secretária da pasta em Goiânia, Fátima Mrué, foi desafiada a visitar qualquer unidade da capital e provar que está funcionando corretamente, mas ela preferiu se desviar da provocação.

O vereador Clécio Alves (MDB), que preside a comissão, novamente foi incisivo no questionamento à secretária depois que ela afirmou que seu trabalho à frente da pasta está atendendo às expectativas do prefeito Iris Rezende (MDB) e defendeu que sua gestão tem promovido avanços.

“Todos podem ter opinião própria, mas acredito que, na medida do possível, estou correspondendo às expectativas do prefeito de renovar a saúde e temos indicadores que mostram os avanços que temos promovido”, disse Fátima Mrué ao citar a reabertura de unidades de Saúde, contratação de médicos e regularização do fornecimento de insulina.

Diante da declaração, o emedebista resolveu propor que a secretária provasse os avanços alegados. “Todos os dias na imprensa, todas as questões referentes à Saúde em Goiânia só mostram o abandono, desprezo, sofrimento. Então eu pergunto, onde é que melhorou? Todo o trabalho que fazemos nessa CEI, encontramos problemas gravíssimos. Será que todos estão errados e só a senhora está certa? Toda a imprensa, os vereadores, a população, todos estão errados?”, questionou.

“Faço um desafio: pode escolher qualquer unidade de saúde de Goiânia, Ciams, Cais, qualquer uma. Vamos sair agora e verificar a unidade de escolha da senhora. Se chegarmos lá e estiver tudo certo, eu renunciou ao meu mandato. Eu renunciou ao meu mandato na mesma hora e aí a senhora vai ter o que quer, que é me ver longe daqui. A senhora aceita o desafio?”, provocou o vereador.

Em resposta, ela tentou desviar do questionamento. “Ao contrário do senhor, não me incomodo com a sua presença e não quero a sua renúncia. Não disputo posição nem cargo”. disse antes de ser interrompida pelo vereador.

“É simples. A senhora precisa responder sim ou não. Aceita ou não o desafio. Do contrário, não precisa dizer mais nada”, concluiu o emedebista.

O desafio foi corroborado pelo vereador Felizberto Tavares (PR). “A senhora precisa sair desse mundo utópico que a senhora está vivendo. Eu também renuncio caso a gente visite qualquer unidade de saúde e não tenha ninguém padecendo lá”, disse.

O vereador do MDB ainda insistiu no desafio. “A senhora faria mesma coisa? Renuncia o cargo de secretária? Senhora diz que está tudo maravilhoso, tudo perfeito. Então, vamos lá! Vamos em duas unidades: se estiver tudo certo, eu saio; se estiver tudo errado, você sai”, disse.

“Não pretendo renunciar”, respondeu a secretária. “Tenho compromisso e nós temos o mesmo objetivo. Está muito longe de estar tudo bem. É possível que você encontre irregularidades, mas estamos trabalhando para melhorar. Não pretendo disputar desafios, vou manter meu compromisso com o povo que precisa de alguém para defendê-los

“Perseguição”

Em resposta, ela insinuou que estaria sendo perseguida pelos vereadores. “Em momento algum eu disse que estava tudo bem. Eu disse que houve avanços. Lamento que vocês não aceitem minha presença na secretaria, mas queria fazer um apelo para que não deixassem de enxergar o que tem sido feito”, disse Fátima Mrué ao citar a reabertura do Cais Urias Magalhães e do Novo Horizonte.

“Acredito que a população não tem dificuldade em reconhecer os avanços. Não estamos inertes. Estamos à serviço da população”, reafirmou a secretária.  Esta é a quinta vez que Fátima Mrué é convocada para prestar depoimento à CEI da Saúde.

“De alguma forma vocês não gostam da minha presença na secretaria, não sei o motivo e lamento muito que isso seja dessa forma. Para mim, vocês são um grupo importante. Em nenhum momento revidei a hostilidade, fui agressiva, apesar de ter sido recebida dessa forma”, lamentou.

Diante da declaração, a vereadora Dra. Cristina Lopes (PSDB) rebateu: “Estamos fazendo o que fomos eleitos, que é fiscalizar as atitudes do Executivo, digo para a senhora: Os indicadores da secretaria são os pacientes morrendo na fila, porque as pessoas estão morrendo. É nosso papel”

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