Após prisão de suspeitos de atentado a bomba, vítima revela motivação do crime

Em nota à imprensa, advogado Walmir Cunha pediu maior rigidez nas leis de proteção trabalhista dos advogados

Advogado em primeira entrevista coletiva após atentado | Foto: Amanda Damasceno/ Jornal OpçãoNota à

O advogado Walmir Cunha, vítima de atentado a bomba em seu próprio escritório de advocacia em julho deste ano, se pronunciou na manhã desta terça-feira (27/12) depois que a Polícia Civil anunciou a prisão de dois suspeitos crime.

Em nota à imprensa, o advogado reiterou a informação de que a tentativa de assassinato se deu por conta de sua atuação como advogado e revelou que o a ação que motivou o crime foi na área de Direito da Família.

“Após a tramitação com uma complexa ação judicial, obtive êxito em favor de meu cliente. Mas lamentavelmente, a parte derrotada, ao não aceitar a legítima decisão judicial, cometeu crime hediondo para promover uma retaliação contra minha vida e minha atividade profissional, que foi exercida rigorosamente dentro da lei e segundo todos os preceitos éticos que regem a advocacia no Brasil”, esclareceu o advogado.

Ele aproveitou a oportunidade para fazer um apelo em favor de leis mais rígidas de proteção aos profissionais da advocacia. “É de suma importância, para o devido exercício do Direito no Brasil, em homenagem à  segurança jurídica, que todos os profissionais atuantes nessa área sejam salvaguardados na prática diária de seu trabalho, seja como advogado ou como qualquer outro agente operador do Direito.”

Investigação

A Polícia Civil do Estado de Goiás confirmou, na manhã desta terça-feira (27), a prisão dos irmão Ovídio Rodrigues Chaveiro e Valdinho Rodrigues Chaveiro, policiais federais aposentados suspeitos do atentado que feriu o advogado Walmir Oliveira da Cunha, de 37 anos, em 15 de julho de 2016.

Além dos dois mandados de prisão temporária, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão e três de condução coercitiva (Jéssica Domingos Chaveiro, Natália Domingos Chaveiro e Soraia Domingos Rodrigues, filhas e esposa de Valdinho).

O caso

Na tarde do dia 15 de julho deste ano, Walmir Cunha recebeu uma encomenda em seu escritório de advocacia no setor Marista, em Goiânia. Pensando se tratar de uma caixa de vinho, presente que costuma receber de um cliente português, o advogado começou a abrir a caixa, mas viu fios e percebeu que se tratava de uma bomba. Avisou a secretária, que segurava o embrulho e ficou paralisada.

Walmir voltou, então, para a mesa, pegou a caixa e ao tentar arremessá-la para o outro lado da sala, a bomba explodiu. Com a explosão, o advogado acabou perdendo três dedos da mão esquerda, sofrendo diversas queimaduras pelo abdômen e uma fratura exposta na perna.

Leia na íntegra o posicionamento do advogado:

 

NOTA À IMPRENSA SOBRE PRISÃO DE AGRESSOR DO ADVOGADO WALMIR CUNHA

Após seis meses de um acentuado trabalho investigativo da Polícia Civil, foi esclarecida definitivamente a autoria do atentado contra minha pessoa, cuja motivação, conforme apurado, está diretamente ligada a minha atividade profissional. Apesar de ser especialista no Direito Agrário e Empresarial, a ação em questão, que motivou o atentado, foi na área do Direito de Família.

Após a tramitação com uma complexa ação judicial, obtive êxito em favor de meu cliente. Mas lamentavelmente, a parte derrotada, ao não aceitar a legítima decisão judicial, cometeu crime hediondo para promover uma retaliação contra minha vida e minha atividade profissional, que foi exercida rigorosamente dentro da lei e segundo todos os preceitos éticos que regem a advocacia no Brasil. Preceitos estes que sigo desde o início de minha carreira profissional há mais de 12 anos.

Quero aproveitar a oportunidade e agradecer imensamente a competência e o empenho da Polícia Civil de Goiás, que de fato não mediu esforços para esclarecer tão bárbaro crime. Agradeço ainda o importante apoio prestado pela Polícia Federal, durante as investigações.

Espero que esse terrível fato ocorrido com minha pessoa sirva para se levantar um amplo e debate sobre as leis que tratam da segurança dos profissionais do direito no exercício de sua profissão. É preciso que essa discussão avance de forma séria, não só nas casas legislativas, mas também em todas as esferas do Poder Judiciário.

É de suma importância, para o devido exercício do Direito no Brasil, em homenagem à  segurança jurídica, que todos os profissionais atuantes nessa área sejam salvaguardados na prática diária de seu trabalho, seja como advogado ou como qualquer outro agente operador do Direito.

O atentado contra advogados, juízes, promotores e outros membros integrantes do sistema judicial brasileiro é um atentado contra a digina da Justiça.

Walmir Oliveira da Cunha

 

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