Após prisão de hackers, comportamento de Moro é criticado pelo STF e Congresso
27 julho 2019 às 14h40

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Há quem defenda que ministro deixe o cargo. Para líder do PP na Câmara, Moro deu sinais de que “comanda as investigações”

Ministros e parlamentares avaliam que o ex-juiz e atual ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, extrapolou os limites após a prisão dos supostos hackers que invadiram seu celular e outras autoridades e, posteriormente, vazaram informações relacionadas a Operação Lava Jato.
Moro, segundo essas autoridades, deu indícios de que teve acesso a dada de uma investigação sigilosa da Polícia Federal. A atitude, segundo o jornal Folha de S. Paulo, caracteriza quebra de sigilo de inquérito policial e o possível abuso de autoridade por parte de Moro.
Autoridades ligadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Congresso defendem que providências sejam tomadas. Há quem defenda que a permanência do ministro ficou “insustentável”. Ou seja, acreditam que Moro deva se afastar do cargo.
Ainda de acordo com o jornal paulista, o líder do PP na Câmara dos deputados, Arthur Lira, disse em entrevista que o ministro está confundindo seu papel. Para ele, Moro deu sinais de que “comanda as investigações” ao violar seu sigilo policial. Isso contradiz, na visão do parlamentar, o discurso de Moro de que acompanhava as investigações na condição de “vítima”.
A Folha de S. Paulo apurou, ainda, que parta dos parlamentares também defendem a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Casa para investigar se Moro teve, de fato, acesso ao conteúdo das mensagens hackeadas.
Depois que o ministro disse às demais autoridades hackeadas que a Polícia Federal iria destruir as provas resultantes da investigação, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (Dem) e o presidente do Supremo, Dias Toffoli também demonstraram preocupação com a afirmação. Segundo a Folha, logo após as ligações do ministro, foi cogitada a união dos partidos de centro com a oposição para que, juntos, pudessem ingressar com uma ação no Supremo.