Policial o enquadrou na Lei de Segurança Nacional, mas Arquidones Bites foi liberado após delegado da PF entender que ‘não houve crime’

Tenente Albuquerque, que levou preso o professor Arquidones por “calúnia” contra o presidente baseado na Lei de Segurança Nacional, posa ao lado de Bolsonaro | Foto: Reprodução

Após a liberação do professor de História e secretário estadual do PT, Arquidones Bites Leão Leite, que foi preso por policiais militares ao recusar a retirar do capô de seu carro o tecido com o texto “Fora Bolsonaro Genocida”, agente responsável pela prisão foi afastado. Tenente Albuquerque, que enquadrou o professor na Lei de Segurança Nacional, ao detê-lo, em Trindade, responderá inquérito policial e procedimento disciplinar para apuração de sua conduta.

Por meio da Secretaria de Segurança Pública (SSP), o Governo de Goiás se posicionou e enviou nota aos veículos de imprensa, ainda na noite desta segunda. Confira o texto na íntegra:

“O policial militar, envolvido nesse fato lamentável, foi afastado de suas funções operacionais. Ele responderá a inquérito policial e procedimento disciplinar para apuração de sua conduta. O Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Segurança, informa que não coaduna com qualquer tipo de abuso de autoridade, venha de onde vier. Assim sendo, todas as condutas que extrapolem os limites da lei são apuradas com o máximo rigor, independentemente do agente ou da motivação de quem a pratica.”

A repercussão do caso foi alta. A ação realizada pelos PMs também foi repreendida pela seção goiana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-GO) e o caso chegou a ser noticiado pelo Jornal Nacional, da Globo. Ainda na noite de ontem, a presidente do diretório estadual do PT, Kátia Maria, publicou um vídeo nas redes sociais, ao saber do ocorrido e se dirigir à sede da PF. O vídeo foi parar na conta do PT nacional no Twitter.

Durante a madrugada, a deputada estadual Adriana Accorsi (PT), também se manifestou e comemorou a liberação do professor através de um vídeo publicado em suas redes sociais. “A justiça, venceu, o Estado democrático de direito e a verdade. Conseguimos libertar nosso companheiro e defender a liberdade de manifestação.Tanto a Polícia Civil quanto a Polícia Federal analisaram o caso e entenderam não haver crime”, disse, na publicação.

 

Entenda o caso

Na noite da última segunda-feira, 31, Arquidones Bites foi abordado por policiais militares, em Trindade, cidade onde mora e já foi vereador por dois mandatos, por ter afixado no capô de seu carro uma faixa que diz “Fora Bolsonaro genocida”. O professor de história portou a mesma faixa durante a manifestação de sábado, 29, da qual participou, em Goiânia.

Baseando-se no artigo 26 (que dispõe sobre calúnia contra autoridade), da Lei de Segurança Nacional, os PMs solicitaram a retirada da faixa e protesto, mas o secretário estadual do PT se recusou a atender a demanda dos agentes e reiterou “é genocida mesmo”. Arquidones foi encaminhado a uma delegacia da cidade.

Diante da recusa do delegado local em registrar queixa, os policiais conduziram o professor à sede da Polícia Federal, na capital goiana. Ao prestar depoimento e ser assistido pelo advogado Edilberto Dias, que também é filiado ao Partido dos Trabalhadores, Arquidones foi liberado pelo delegado da PF, Franklin Roosevelt.