Após período crítico, estagiários retomam atividades e se aproximam da realidade pré-pandemia

Coordenadora da Central de Estágios da UFG diz que no período crítico restaram pouco mais de 600 estagiários em atividade. Hoje, número já ultrapassa a casa dos 3 mil

Foto: Reprodução.

Com a chegada da pandemia da Covid-19, diversos trabalhadores tiveram suas atividades afetadas. Um universo fortemente impactado, porém pouco lembrado é o dos estagiários que, não só em Goiás, mas em todo brasil, sofreu duros impactos diante da crise.

Segundo informações divulgadas pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL) em Goiás, em um universo de 11 mil estagiários na ativa, aproximadamente 30% desse total tiveram suas atividades afetadas durante a pandemia.

Desses 30%, 20% ainda não retomaram seus contratos de estágio. No entanto, segundo o IEL, conforme as empresas vão retomando, os estagiários também retornam.

“O IEL segue dialogando com as empresas contratantes e tem conseguido oportunizar vagas. Durante a pior fase da pandemia, poucas vagas eram disponibilizadas, hoje temos mais de 600 vagas disponíveis e mais de 1.200 vagas já foram preenchidas apenas no mês de Setembro”, destaca um comunicado expedido pelo Instituto.

Em entrevista ao Jornal Opção, a diretora de Desenvolvimento Acadêmico da Pró-Reitoria de Graduação e coordenadora da Central de Estágios da Universidade Federal de Goiás (UFG), Rosângela de Oliveira Alves, explicou que os impactos são inegáveis, porém, diferentes para cada modalidade.

“A modalidade ‘não obrigatório’ para nós foi até uma surpresa. Observamos que durante a pandemia o número de novos contratos não sofreu uma grande queda. As empresas começaram a se mobilizar no sentido do teletrabalho e isso fez com que os jovens não só procurassem mais atividades, mas também tivessem mais tempo para exercê-las”, explicou.

diretora de Desenvolvimento Acadêmico da Pró-Reitoria de Graduação e coordenadora da Central de Estágios da Universidade Federal de Goiás (UFG), Rosângela de Oliveira Alves / Foto: Reprodução

Quanto a modalidade de estágio “obrigatório”, a coordenadora considerou a realidade “bem diferente”. “Observamos um impacto negativo a partir do momento em que o calendário acadêmico precisou ser suspenso. A legislação publicada respaldou a permanência apensas dos estagiários que atuavam em cursos considerados como atividades essenciais ao combate a pandemia. Para esses, o estágio pôde continuar. Os demais precisaram se afastar e, consequentemente, acabaram com o andamento da disciplina prejudicado”, disse.

Segundo a coordenadora, desde 31 de agosto, quando a Universidade decidiu pela retomada das aulas de maneira remota, os estagiários voltaram a se reestabelecer. No entanto, há algumas atividades cujo as diretrizes curriculares nacionais não permitem o trabalho de maneira remota, como:

  • Biotecnologia
  • Ciências Ambientais
  • Design de Ambientes
  • Design de Moda
  • Design Gráfico
  • Design de Arte
  • Ecologia e Análise Ambiental
  • Física medica
  • Gestão da Informação
  • Inteligência Artificial
  • Musicoterapia
  • Tradução e Interpretação em Libras

No período mais crítico da pandemia, Rosangela explica que, na modalidade obrigatória, restaram pouco mais de 600 alunos em atividade – aqueles pertencentes aos cursos considerados essenciais no combate ao vírus. No entanto, com o passar do tempo e a retomada gradual das atividades, os estagiários também puderam voltar. “Hoje temos mais de 3 mil em atividade. Para se ter uma ideia, o último dado pré-pandemia era de 3.894 alunos em atividade. Ou seja, estamos cada vez mais próximos de chegarmos ao patamar que estávamos antes do início da crise”, explicou.

A especialista considera que no início de tudo houve uma situação de bastante “fragilidade”. “Especialmente do ponto de vista emocional e psicológico desses jovens. A medida que que fomos desenvolvendo protocolos alicerçados nas diretrizes do Governo Federal, a coisa foi se acomodando e muitos perceberam que seria possível continuar produzindo sem prejuízo ao aprendizado”, considerou.

Para ela, o momento tem sido desafiador, especialmente para as academias, “mas acredito que essa fase nos deixará muitos aprendizados. Aprendizados que serão utilizados para formação dos nossos egressos e no aprimoramento das nossas metodologias de trabalho para o futuro”, pontuou.

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