Por Ângela Moureira e Letícia Brito

O atual presidente do Pros, Marcus Holanda, disse, em conversa gravada, que fez pagamentos à irmã do desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF), Diaulas Costa Ribeiro. O magistrado deu voto favorável à colocação de Holanda no comando da sigla.

No áudio, divulgado primeiro pela Folha de São Paulo, Marcus Holanda diz ter feito pagamentos picados à advogada Raquel Costa Ribeiro, irmã do desembargador.

“Ninguém sabe, nem o Amauri [advogado do Pros] sabe. Eu nunca falei nem vou falar”, afirma Holanda na conversa, que estava sendo gravada. Uma mulher pergunta “ela recebeu?”, ao que ele responde “recebeu sim; ‘chu,chu,chu’”. A mesma mulher, pergunta se o pagamento foi picado e Holanda confirma que sim e continua dando detalhes. “Não adianta te falar que vou mandar R$ 250 mil porque eu não consigo mandar porque estou devendo já muita coisa que ficou definida e a gente não pagou. Esses R$ 500 mil do DF foi para ajudar a pagar, você já sabe. Quem e o que”, disse Marcus Holanda.

A gravação levanta suspeitas de que negociações em dinheiro possam ter influenciado na decisão do TJ-DF que colocou Holanda no comando do Pros, por meio da sentença favorável de Diaulas. O voto do desembargador foi seguido por outros dois colegas do Tribunal.

Agora, a defesa de Eurípedes Junior, fundador da sigla, tenta recorrer da decisão. “Não é aceitável que no estado democrático de direito seja mantido um acordo produzindo efeitos, quando é evidente o impedimento do relator e nulidade do acordo em razão de tratativas, negociatas e pagamentos realizados com a irmã do relator. (…) Nós vamos buscar rever esta decisão ainda hoje”, afirma, ao Jornal Opção, Bruno Pena, advogado que obteve liminar autorizando o retorno de Eurípedes Jr ao comando do Pros, no último domingo. A liminar foi suspensa nesta quarta-feira, 3, devolvendo a sigla à gestão de Holanda.

Disputa interna

O posto de comando do Pros vem sofrendo reviravoltas ao longo desta semana, mas a disputa já acontece há meses. Holando passou a presidir o partido depois que, em março, o fundador da sigla, Eurípedes Jr., foi afastado pela decisão do TJ-DF. Eurípedes havia sido acusado, pelo próprio partido, de lavagem de dinheiro e ocultação de bens. Em abril, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que o partido devolvesse mais de R$ 11 milhões aos cofres públicos. O Tribunal constatou irregularidades na aplicação do Fundo Partidário.

Com Holando no comando, o partido fez convenção e lançou a pré-candidatura do coach Pablo Marçal à presidência da república, no domingo, 1. Por outro lado, no mesmo dia, decisão Superior Tribunal de Justiça determinou que Eurípedes Jr. retornasse à presidência da sigla. Sob novo comando, o partido declarou que a candidatura de Marçal cairia e que o pré-candidato Lula seria apoiado. Três dias depois, nesta quarta-feira,3, o STJ alterou sua própria decisão, e recolocou Holanda no comando.