Após liminar, 15% das crianças retornam às instituições de educação infantil

“É com muita alegria que abrimos as portas para atender às famílias que precisam e que decidiram voltar”, diz Eula Wamir

Oito instituições particulares voltaram a atender crianças de 0 a 5 anos em Goiânia | Foto: Reprodução

A presidente da Associação das Instituições de Ensino Particulares de Goiás (Aipeg), Eula Wamir, falou ao Jornal Opção sobre a retomada do atendimento às crianças de 0 a 5 anos nas oito instituições que conseguiram liminares autorizando o funcionamento na capital. “A adesão ainda é pequena, 15% das crianças voltaram às creches particulares e berçários. Mas é uma satisfação enorme poder recomeçar”, resume.

“É com muita alegria que abrimos as portas para atender às famílias que precisam e que decidiram voltar. A adesão é pequena, mas isso é bom já que assim podemos nos estruturar e atender a todos com segurança”, destaca Eula Wamir. Ela explica que muitos pais conseguiram organizar meios alternativos como a contratação de babás, ou estão deixando as crianças com familiares, por isso, a retomada é gradativa.  

Eula, que também é mantenedora de duas unidades, contou que tinha 124 crianças matriculadas antes da pandemia e no primeiro dia de retorno, após a liminar, apenas 19 crianças voltaram a frequentar o espaço. Ela detalha que a retomada envolve muita preparação como a sanitização do espaço, preparação e avaliação médica da equipe. “Temos que ter a autorização do Judiciário ou do Executivo, além de atender às legislações trabalhista e sanitária”, aponta.

Outra preocupação das instituições é o caráter liminar da autorização, uma vez que alguns pais podem dispensar a babá e depois não ter o atendimento na escola mantido. “Por isso, estamos fazendo tudo com muito cuidado e diálogo com as famílias. Até porque muitos contratos foram encerrados”, explica Eula, que cita ainda o caso de famílias que optaram por seguir com o atendimento à distância.

“A minha instituição tem 1200m e ontem recebeu 19 crianças. Queríamos ter a liberdade de trabalhar. Direito de voltar ou não por se tratar de uma etapa de ensino não obrigatória”, detalha a presidente da associação. “As famílias só ficam conosco quando se sentem seguras. Para esse público,  são escolas menores, geralmente de bairro. Quem usa berçário, em sua maioria, são trabalhadores”, completa.

Para Eula, não faz sentido ministrar aulas à distância para famílias que os pais voltaram ao trabalho, pois as crianças não conseguem acompanhar as atividades sozinhas. “Cada família vive uma realidade, muitos não tem dinheiro para contratar uma babá e não tem um familiar que possa ficar com a criança. Por isso, o juiz foi muito criterioso ao autorizar esse atendimento”.

Escola de Educação Infantil antes da pandemia e atualmente | Foto: Reprodução

A educadora também lembra que a Resolução Nº 120, que estabelece princípios e normas para a organização e a autorização de funcionamento das instituições de Educação Infantil, no âmbito do Sistema Municipal de Educação de Goiânia, é muito completa e dá segurança às famílias.

“Desde março, o número de creches clandestinas vem crescendo, assim como mães crecheiras cuidando de um número alto de crianças. Tudo isso influenciou na decisão do juiz. Nós fizemos um protocolo que foi aprovado e, depois, o Estado divulgou um protocolo oficial semelhante que será seguido à risca. Sabemos que não vai ser fácil, mas não existe lugar melhor para a criança ser cuidada”, finaliza.

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