Após críticas, PT diz que presidente da OAB-GO precisa “ler mais”

Presidentes dos diretórios metropolitano e estadual do PT em Goiás rebatem críticas ao partido feitas pelo advogado Lúcio Flávio de Paiva

Depois de realizar duros comentários em relação ao Partido dos Trabalhadores e ao governo federal, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Goiás (OAB-GO), Lúcio Flávio de Paiva, foi alvo de críticas contundentes por parte de lideranças do PT em Goiás, que afirmaram que o advogado deveria ler mais.

Em discurso durante o Fórum 2020, na manhã da última quinta-feira (10/3), em Goiânia, o advogado declarou que “a corrupção não nasceu no governo do PT, […] mas ela se profissionalizou no governo do PT” e ainda criticou as políticas assistencialistas do governo federal, afirmando que “temos hoje um governo federal que pretende tornar o cidadão refém de suas próprias bolsas”.

Em entrevista ao Jornal Opção, o deputado estadual e presidente metropolitano do PT em Goiânia, Luis César Bueno rebateu: “Se ele lesse um pouco mais, saberia que o maior número de parlamentares denunciados e/ou mencionados em escândalos de corrupção não são do PT.”

O deputado faz menção a um ranking divulgado pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MMCE), que utiliza dados do Supremo Tribunal Federal para mostrar os partidos com o maior número de parlamentares envolvidos em escândalos de corrupção. Segundo o estudo, divulgado em 2007, o DEM aparece em primeiro lugar, seguido pelo PMDB e PSDB. Ainda de acordo com a lista, o PT aparece em 10º colocado.

Já o presidente do diretório regional do PT em Goiás, Ceser Donisete, rebate as críticas de Lúcio Flávio em relação aos programas de bolsas do governo federal. “Aconselho que ele leia os dados e pesquisas da Organização das Nações Unidas (ONU), da Organização Mundial de Saúde (OMS), e até mesmo artigos europeus que elogiam o Brasil no combate à pobreza e a fome. Não são dados políticos, são pesquisas científicas que todo estudioso, jurista, intelectual brasileiro deve conhecer.”

As duas figuras de liderança dentro do PT em Goiás ainda foram contundentes em defender que o Brasil vive um momento de tensão na política nacional, “que exige cautela e sabedoria tanto do governo quanto da oposição”, afirmou Luis César Bueno.

Já o presidente do diretório estadual lamentou o posicionamento de Lúcio Flávio. “Acho que as entidades também deveriam contribuir para apaziguar esse momento tão delicado, e não colocar mais lenha na fogueira.”

Nota-resposta

O presidente da OAB-GO, Lúcio Flávio de Paiva, afirmou que “respeita profundamente a opinião do líder partidário”: “Mesmo porque, meu entendimento é justamente no sentido de que o estado democrático de direito se  reflete na divergência de opiniões e posicionamentos. Democracia, no final das contas, é isso: poder se expressar”.

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Epaminondas

Luis César Bueno: “Se ele lesse um pouco mais, saberia que o maior número de parlamentares denunciados e/ou mencionados em escândalos de corrupção não são do PT.” Mero detalhe que o partido com mais denunciados é o PP. Que é base aliada ao PT. Ceser Donisete: “Aconselho que ele leia os dados e pesquisas da Organização das Nações Unidas (ONU), da Organização Mundial de Saúde (OMS), e até mesmo artigos europeus que elogiam o Brasil no combate à pobreza e a fome. Não são dados políticos, são pesquisas científicas que todo estudioso, jurista, intelectual brasileiro deve conhecer.” Ou seja, se… Leia mais

Antonio Alves

Combater e falar mal do PT virou modismo e o presidente da OAB não quer ficar de fora. O modismo faz parte da cultura de uma nação. A cultura está impregnada de certa forma que desconsidera qualquer dado científico. Há pessoas que preferem procurar um raizeiro para curar uma doença invés de procurar um médico.

Epaminondas

Poisé, ser contra toda maracutaia que petistas de alta patente se meteram é coisa da coleção outono/inverno. E o presidente de uma entidade de advogados só está fazendo isto porque leu em algum guia de estilo.

Então, para resolver esta situação, podemos esperar uma destas duas coisas: #1) O PT parar de achar que se é pela justiça social, problema nenhum traficar influência e assaltar entidades públicas para abastecer caixas do partido e privados; #2) Esperar pela estação primavera/verão de 2017.

Sandro Meireles

O MCCE informa que não há “rankings” atuais sobre afastamentos/envolvimentos de parlamentares em corrupção. O último levantamento similar do Movimento ocorreu em 2009.

Att., Sandro Meireles (Ascom-MCCE).

MCCE – Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral