Após críticas, PF diz que Carne Fraca não representa todas as empresas brasileiras

Em nota conjunta com o Ministério da Agricultura, corporação elogia Sistema de Inspeção Federal e disse que investigações são pontuais 

Depois das intensas críticas ao modo como a Polícia Federal (PF) conduziu a Operação Carne Fraca, a corporação emitiu nota em parceria com o Ministério da Agricultura em que afirma que as investigações tratam da corrupção pontual de determinados fiscais federais e não se referem à totalidade do sistema brasileiro de fiscalização. “O Sistema de Inspeção Federal brasileiro já foi auditado por vários países que atestaram sua qualidade”, acrescentam eles.

A nota veio depois da forte reação internacional ao anúncio da operação. Até agora, 15 países e a União Europeia decidiram suspender pelo menos temporariamente a importação de carne brasileira, na totalidade ou de alguns frigoríficos, ou pelo menos inspecionar os produtos: África do Sul, Arábia Saudita, Argélia, Chile, China, Coréia do Sul, Egito, Estados Unidos, Hong Kong, Israel, Jamaica, Japão, México, Suíça e Trinidad e Tobago.

No último sábado (18), o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, se apressou em dizer que o desvio foi de apenas algumas empresas e, portanto, não haveria risco em consumir a carne brasileira, submetida à rigoroso sistema de fiscalização. O presidente Michel Temer (PMDB) também minimizou as acusações, enquanto associações de produtores rurais se apressaram para defender a qualidade da carne que vendem.

Nesta quarta-feira (22), o Ministério do Desenvolvimento afirmou que as exportações de carne brasileira na última terça-feira (21) despencaram da média de US$ 63 milhões para apenas US$ 74 mil. Na avaliação do ministro da Indústria, Marcos Pereira (PRB), os empresários estão cautelosos e reduziram as exportações com medo de os produtos ficarem retidos no pais de destino.

O comunicado da PF também menciona reunião entre o secretário executivo no Ministério da Agricultura, Eumar Roberto, e o diretor-geral da PF, Leandro Daiello, para tentar conter as consequências negativas da operação. Segundo os dois órgãos, o objetivo foi “fortalecer a relação entre as Instituições e reafirmar o compromisso de ambas em elucidar os fatos investigados”.

Entenda a Operação

Deflagrada na última sexta-feira (17), a Operação Carne Fraca pela Polícia investiga empresas supostamente envolvidas em esquema de pagamento de propina a fiscais agropecuários, incluindo as gigantes BRF – cujas vendas estão interditadas – e JBS. A investigação apontou que as fraudes permitiam a liberação de mercadorias adulteradas e estragadas.

Confira a nota, divulgada na última terça-feira (21):

Sobre a Operação Carne Fraca, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e a Polícia Federal esclarecem:

1. A reunião ocorrida hoje (21/3) entre o Secretário Executivo do MAPA, Eumar Roberto Novacki, e o Diretor Geral da PF, Leandro Daiello Coimbra, teve como objetivo fortalecer a relação entre as Instituições e reafirmar o compromisso de ambas em elucidar os fatos investigados.

2. A operação deflagrada na última sexta-feira (17) teve como foco a eventual prática de crimes de corrupção por agentes públicos;

3. Embora as investigações da Polícia Federal visem apurar irregularidades pontuais identificadas no Sistema de Inspeção Federal (SIF), tais fatos se relacionam diretamente a desvios de conduta profissional praticados por alguns servidores e não representam um mal funcionamento generalizado do sistema de integridade sanitária brasileiro. O Sistema De Inspeção Federal brasileiro já foi auditado por vários países que atestaram sua qualidade. O SIF garante produtos de qualidade ao consumidor brasileiro.

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
Polícia Federal

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