Após chacina em festa, briga entre presos deixa 10 mortos no Ceará

No último sábado,  um grupo chegou em carros e atirou contra uma festa, deixando 14 mortos

Uma briga entre presos deixou 10 mortos na manhã desta segunda-feira (29/1) na cadeia pública de Itapajé, a 125 km de Fortaleza. De acordo com a Secretaria da Justiça, o conflito foi controlado.

A briga no presídio acontece dois dias depois da maior chacina da história do Ceará, quando 14 pessoas em uma festa na madrugada do último sábado (27), em Fortaleza.

A briga e a chacina reiteram o cenário de violência que marca o estado hoje. O Atlas da Violência 2017, estudo realizado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostra que a taxa de homicídios por 100 mil habitantes no estado do Ceará cresceu 47% entre 2010 e 2015, ano em que foram contabilizados 4.163 homicídios.

Intervenção

A seccional da Ordem dos Advogados do Brasil do Ceará (OAB–CE) poderá entrar com pedido de intervenção federal no estado, após esta que foi a maior chacina já registrada. A Ordem vai convocar para quarta-feira (31) uma sessão no pleno do conselho para tratar da segurança pública do estado.

O presidente da Comissão de Segurança Pública da OAB-CE, Francisco Garisto, afirmou que o pedido de intervenção poderá ser uma das deliberações.

Segundo a assessoria de imprensa do órgão, a reunião será pública e serão convidados para participar o secretário de Segurança Pública e Defesa Social do estado, André Costa, e a secretária de Justiça e Cidadania, Socorro França.

“Temos 15 mortes por dia. Não tem isso nem na Síria ou no Iraque. No ano passado foram 5.440 mortes e, somente neste mês de janeiro, já morreram mais de 400”, disse Garisto. Para a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social, foram 200 homicídios registrados no estado em janeiro.

Conforme Garisto, a medida deveria ter sido tomada antes mesmo da chacina. Ele acredita que mais mortes ocorrerão no estado.

No sábado à noite, a OAB-CE divulgou nota, na qual diz: “O ocorrido comprova o que a sociedade cearense já vem presenciando no seu cotidiano. Estamos vivendo um colapso na segurança pública e, a cada dia, nos tornamos reféns de atos da violência urbana, situação que se repete no interior do estado, com a presença do crime organizado desafiando o poder estatal”.

A nota acrescentou que uma real mudança é necessária. “A OAB do Ceará sugere uma reforma na segurança pública, com ações planejadas, combativas, atuantes e efetivas, garantindo investimentos em políticas públicas, com equipamentos adequados, inteligência das polícias e demais ferramentas que garantam uma investigação eficaz para cada cidadão cearense.” (Com Agência Brasil)

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