Após anos acumulando déficits e enfrentando sucessivas crises financeiras, a Companhia de Urbanização de Goiâniacomeçou 2026 em um cenário diferente daquele que marcou a estatal nos últimos anos. Dados obtidos com exclusividade pelo Jornal Opção mostram que a empresa fechou o primeiro quadrimestre do ano com geração de caixa operacional de R$ 34,6 milhões e receita bruta de R$ 195,7 milhões.

Os números reforçam a mudança de trajetória da Comurg, que em 2025 já havia encerrado o exercício com superávit de R$ 12 milhões após um longo histórico de prejuízos, atrasos e dificuldades de gestão.

Entre janeiro e abril deste ano, a companhia manteve crescimento gradual de arrecadação e desempenho operacional. A margem média registrada no período foi de 17,68%.

A evolução da receita mostra avanço contínuo ao longo dos quatro meses. Em janeiro, a estatal faturou R$ 46,6 milhões. Em fevereiro, o valor passou para R$ 47,4 milhões. Em março, a arrecadação chegou a R$ 50,7 milhões e, em abril, alcançou R$ 50,8 milhões. O crescimento acumulado entre o primeiro e o último mês do quadrimestre foi de 8,9%.

O desempenho ocorre em meio à ampliação dos serviços de zeladoria urbana executados pela companhia em Goiânia e ao aumento da demanda operacional em diferentes regiões da capital.

Outro dado que chama atenção é o Ebitda — indicador utilizado para medir a geração de caixa operacional das empresas. A Comurg manteve resultado superior a R$ 7 milhões em todos os meses analisados: R$ 9,4 milhões em janeiro, R$ 9 milhões em fevereiro, R$ 7,1 milhões em março e R$ 8,9 milhões em abril.

Na prática, os números indicam que a estatal conseguiu manter capacidade operacional positiva mesmo diante de custos permanentes ligados à manutenção da estrutura, compra de insumos e execução dos serviços urbanos.

A atual gestão atribui o resultado a medidas adotadas desde o ano passado, como renegociação de contratos, redução de despesas administrativas e revisão de processos internos. A companhia também passou por mudanças administrativas após anos de questionamentos envolvendo dívidas, problemas trabalhistas e dificuldades financeiras.

Com receita próxima de R$ 200 milhões apenas nos quatro primeiros meses de 2026, a Comurg tenta consolidar uma recuperação financeira em meio ao desafio de manter equilíbrio fiscal sem reduzir a capacidade operacional da empresa.

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