Após agressão a manifestante, PM-GO passará por processo de “correção de rumos”

Secretário de Segurança Pública, Ricardo Balestreri, admitiu que houve excesso na ação policial e defendeu atuação técnica e científica dos oficiais

“Queremos uma polícia rigorosa, mas dentro dos limites da ética, da moralidade e da legalidade”, afirmou ele | Foto: Jota Eurípedes

O secretário de Segurança Pública e Administração Penitenciária de Goiás (SSPAP), Ricardo Balestreri, anunciou, nesta terça-feira (2/5), que a Polícia Militar passará por um processo de “correção de rumos” depois das duas últimas polêmicas envolvendo a corporação: a agressão do estudante Matheus Ferreira durante manifestação na última sexta-feira (28/4) e a morte do adolescente Roberto Campos, de 16 anos, durante invasão policial à sua casa.

Segundo Balestreri, este é um momento de tristeza não só para a família das vítimas, como também para a secretaria e ele próprio, pelo seu histórico de vida dedicado “à construção de uma segurança pública técnica, científica, racional e com uso seletivo da força”. Para o secretário, foi justamente a falta de padrões na ação policial que levou aos episódios.

“Polícia tem o direito democrático de fazer uso da força, mas dentro de padrões de racionalidade e de proporcionalidade. Queremos uma polícia rigorosa, mas dentro dos limites da ética, da moralidade e da legalidade. Essa é uma luta da vida inteira e será também aqui no governo de Goiás”, defendeu.

“Não estou pré-julgando ninguém, tenho que me submeter ao padrão democrático do contraditório, mas me cabe o dever que é acreditar que é possível haver uma falha pessoal e também cultural”, admitiu o secretário. Na coletiva, Balestreri já assinou o decreto que institui uma das medidas anunciadas, a criação de grupo de normatização da inteligência em segurança pública.

Ele também comentou os questionamentos sobre o porquê de não ter determinado a prisão do policial após os acontecimentos: “Simplesmente não posso fazer isso, não há pena sumária no Brasil e também existe a lei militar, que tem que ser cumprida”.

Confira quais serão as seis principais medidas tomadas pela PM a partir de agora:

  1. Cursos de capacitação com oficiais de renome para que se faça uso da força racional e proporcional de acordo com as diretrizes da ONU;
  2. Apresentação de Código de Ética da PM;
  3. Aumentar o acervo de equipamentos não letais para que se use armas que causam menos danos;
  4. Capacitação permanente em cidadania e mediação de conflitos, com previsão de formação de 750 a 1000 líderes;
  5. Criação de grupo de normatização da inteligência em segurança pública;
  6. Criar unidades em cada batalhão com pessoas especializadas em manifestações.
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Joanismar

Só não sei porque “o uso da força racional e proporcional” tem que ser de acordo com diretrizes da ONU. Até quando vamos carregar nas costas essa subserviência à diretrizes de um “Organismo de Espúrias Intenções”?