Aos 10 anos, bailarina goiana chega à final nacional de uma das maiores competições de balé do mundo
13 outubro 2026 às 13h01

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Aos 10 anos, a bailarina goiana Clarice Rolo Reis leva seu talento para a final nacional do Youth Grand Prix (YGP) Brasil, uma das competições de balé mais importantes do país e do mundo. O evento acontece entre os dias 20 a 24 de outubro, em Barueri (SP). Na disputa, a jovem apresenta uma variação do clássico La Fille mal gardée (A Filha Mal Guardada), uma das obras mais antigas do balé.
Aluna da Escola do Futuro de Goiás em Artes Basileu França, considerada a maior escola de artes da América Latina, Clarice integra o Corpo de Baile Infantil. Esta será a primeira competição oficial dela pela instituição, que a escolheu para representá-la no YGP.
Nascida em Goiânia, Clarice começou a dançar balé aos 3 anos e ao longo de sua formação, passou por escolas renomadas da capital e pelo tradicional Centro Cultural Gustav Ritter. Em fevereiro deste ano, ingressou no Basileu França após passar por um processo seletivo.
Em entrevista ao Jornal Opção, a mãe da bailarina, Viviane, explicou que a família percebeu cedo que o balé não era apenas um passatempo. Segundo ela, a menina desenvolveu uma habilidade fora do comum e começou a se destacar em campeonatos disputados em Goiânia e Brasília. “E aí ela mesma falou ‘Eu preciso melhorar, eu quero aprender mais sobre balé’”, relatou Viviane.

Foi então que os pais buscaram uma formação profissionalizante. Levaram Clarice à Escola do Futuro em Artes Basileu França, onde a jovem participou de um processo seletivo e foi aprovada. Ela ingressou na instituição em fevereiro deste ano e, ao longo da trajetória, foi escolhida pela escola para representá-la na final do YGP Brasil. Além disso, Clarice integra o Corpo de Baile Infantil da escola e será sua primeira competição oficial pela instituição.
Viviane destacou o impacto da rotina intensa na formação da filha. Conforme contou, a escola oferece aprimoramento técnico e artístico com professores de diferentes nacionalidades, incluindo russos e cubanos, o que acelerou a evolução da menina em poucos meses. A carga horária chega a quatro ou cinco horas diárias de técnica de balé. “A escola proporciona tudo o que o aluno precisa, a gente vê que eles não medem esforços”, afirmou.
A disciplina adquirida nos treinos, segundo a mãe, reflete-se no desempenho escolar. Clarice é uma das melhores alunas da escola regular, com notas excelentes, e consegue conciliar bem os horários. “Isso é muito dela”, ressaltou Viviane, embora reconheça o acompanhamento da família.

Para o YGP, a preparação se intensificou. Clarice treina diariamente desde setembro, com foco em sua variação de repertório clássico para a competição, chamada La Fille mal gardée (A Filha Mal Guardada). A escola levará toda a delegação de crianças e jovens que vão competir, mas Viviane acompanhará a filha separadamente, já que é a primeira vez que Clarice participa do evento.
A mãe também explicou como funciona o suporte financeiro para as competições. A escola mantém uma associação de pais e mestres que promove eventos ao longo do ano para ajudar no deslocamento dos alunos. Ainda assim, parte dos custos é subsidiada pelas famílias. “Nós pais também temos que ajudar com o custo dessas viagens”, disse.
Clarice chega à final nacional com um currículo que já chama atenção. No ano passado, conquistou o primeiro lugar na categoria dela em um concurso online da Angel Shine Foundation (EUA), que reuniu participantes do mundo inteiro. Como é brasileira, o prêmio foi convertido em valor em dinheiro referente a uma bolsa de estudos.

Sobre as expectativas para a competição, a mãe contou que a filha encara o momento com seriedade e animação, sem deixar de lado a vontade de vivenciar a experiência. “Ela está muito feliz de estar indo, ela está se preparando para isso, mas ela não está pensando no pódio, para ela é muito além, os prêmios são uma consequência do trabalho”, afirmou Viviane. Ela acrescentou que o desejo de Clarice é aproveitar as aulas com professores renomados e a oportunidade de ser avaliada por profissionais que podem oferecer bolsas de estudo fora do país.
A rotina da bailarina vai além do balé. Ela faz pilates e aulas de fortalecimento fora da escola. Durante a semana, estuda pela manhã, almoça em casa e retorna à escola de dança no início da tarde, com aulas que terminam entre 18h30 e 20h. Em casa, ainda janta, toma banho, faz as tarefas escolares e estuda para provas. Nos fins de semana, mantém espaço para brincar, descansar e conviver com a família e outras crianças.
Clarice durante as aulas de pilates:
Para Viviane, acompanhar a dedicação da filha é motivo de orgulho e inspiração. Ela lembra que nenhum membro da família vive da dança, o que torna a trajetória de Clarice ainda mais significativa. “Ver a Clarice com tanta disciplina, tanto empenho, tanto amor e dedicação ao balé, à dança, é algo que inspira a gente”, declarou. O sonho da menina, segundo a mãe, é se profissionalizar e um dia integrar uma companhia de dança.
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