“Ao mesmo tempo em que estamos com hospitais cheios, não param de chegar pessoas”, diz presidente da Ahpaceg

Haikal Helou diz que apelou ao governador para que ajude nas negociações com planos de saúde e aguarda melhora do estado de saúde de Ronaldo Caiado que se comprometeu a ajudar na busca de uma solução. Presidente da Ahpaceg também defende uma “unificação estadual” na regulação de leitos, tanto da rede pública como da privada

Presidente da Ahpaceg, Haikal Helou. | Foto: Site da Ahpaceg/reprodução

Preocupado com o colapso no sistema de saúde, o presidente da Associação dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás (Ahpaceg), Haikal Helou, aguarda apoio do governador Ronaldo Caiado (DEM) para diálogo e busca de soluções com planos de saúde. Até o momento, somente o Ipasgo se manteve aberto para discutir e negociar qual a melhor saída para esse impasse.

Em entrevista com o Jornal Opção, Haikal Helou explica que, com o aumento dos casos de Covid-19 no estado, e a consequente necessidade de internação, o fluxo de atendimento nos prontos socorros subiu para além da capacidade. “Estamos discutindo o que fazer, porque ao mesmo tempo em que estamos com os hospitais cheios, não param de chegar pessoas. Obviamente nós temos que atendê-las, mas não temos como”, desabafa.

As negociações com o Ipasgo se encontram avançadas, especialmente se comparado ao pouco avanço quanto aos demais planos de saúde. Segundo o presidente da associação, desde a última semana diversas reuniões já aconteceram. Foram realizadas duas propostas ao plano, uma delas a construção de um “hospital de campanha” dentro de uma ala desativada de um hospital, para que mais pacientes possam ser atendidos. No momento, os pedidos se encontram em análise, mas esperança é que um acordo seja estabelecido até a próxima segunda-feira, 08.

“Entendo que eles precisem de um tempo para analisar. É um processo complexo que envolve a Procuradoria, o Tribunal de Contas… Não é algo que depende de uma só pessoa”, explica Haikal, ao garantir a comunicação diária com o Ipasgo.

Demais planos de saúde

Já quanto aos demais planos de saúde, o presidente da Ahpaceg aguarda pela melhora do governador, para que possa forçar um diálogo deles com a associação. “Apelei ao governador para que ele, como autoridade máxima do Estado, bote todos na mesa. Chega um momento em que não há mais diálogo e que você precisa de um árbitro”, conta.

Desde a noite da última segunda-feira, 01, o chefe do Executivo goiano permanece com suas atividades suspensas após passar mal. Ronaldo Caiado garantiu, entretanto, que pretende apoiar a associação nessas negociações.

Reunião com a COE

Na tarde da última quarta-feira, 03, em reunião com os membros do Centro de Operações de Emergências (COE) em Saúde Pública de Goiás para Enfrentamento ao Coronavírus, do qual Ahpaceg faz parte, foram realizados pedidos de ajuda ao Poder Público para o enfrentamento da crise.

Em especial, a solicitação é que haja uma unificação estadual, ao invés da autonomia municipal, quanto a regulamentação dos hospitais, das operadoras e das ações tomadas para conter a crise causada pelo novo coronavírus. “Neste momento, todos os municípios participariam, mas haveria um controle central do estado para que não fique cada município regulando, hospital e operadora regulando os seus. Nessa hora estamos todos no mesmo barco”, explica Haikal.

A segunda demanda é que seja feita uma classificação do nível de resolutividade das instituições, para que cada hospital receba pacientes de acordo com sua capacidade. O presidente da associação ainda complementa que, durante o encontro de segunda-feira, foi determinado pela superintendente de Vigilância em Saúde, Flúvia Amorim, que o grupo específico do colo hospitalar crie e apresente soluções até a próxima reunião, que acontecerá na próxima quarta-feira.

Denúncias

Na última semana, o Jornal Opção recebeu a denúncia de que os hospitais da rede privada estariam oferecendo leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para venda para a rede pública, por um valor de R$8,5 mil reais. Nas negociações, ainda teriam sido oferecidos balões de oxigênio.

O presidente da Ahpaceg, entretanto, nega ter conhecimento de qualquer um desses acordos e ainda ressalta a importância da existência de investigação por parte da polícia, caso isso realmente esteja acontecendo. Ao se assustar com o valor mencionado, acrescenta que hoje o preço de leito de UTI acordado com o Ipasgo é de R$3 mil reais. “Eu vi ontem no site da prefeitura, por exemplo, sobre as instituições que estão fazendo parceria, 99% não são instituições da Ahpaceg”, conclui.

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